quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O ÓBVIO DA REPRESENTAÇÃO


O significado de uma imagem isolada pode ser completamente diverso daquele que ela assume encaixada num contexto.
Durante a leitura analítica, o olhar recorta a imagem em segmentos para melhor ler as partes. logo após, a partir dos recortes, pode buscar uma síntese, um tema ou motivo central que reuna e dê coerência ao todo.
O significado global de um texto não é o resultado da mera soma de suas partes, mas de uma certa combinação geradora de sentidos.

Selecionei, a obra acima "Isto não é um cachimbo", de René Magritte - 1898/1987, para mostrar que o leitor ingênuo permanece no nível figurativo e não é capaz, como faz o leitor mais avisado, de receber os significados mais abstratos que estão sob os termos concretos.
Estive pensando, nas vantagens e desvantagens, de utilizar imagens para ilustrar meus textos e poesias. Uma figura isolada não tem um significado em si mesma, cada uma delas implica idéias muito variadas. No entanto, como uma figura isolada não tem sentido único, a quebra da coerência textual, com a introdução de uma figura impertinente ao contexto que está sendo desenvolvido não cria novos sentidos: dá apenas a impressão de que quem produziu o texto não é capaz de escrever coerentemente.
Querendo evitar pressupostos, interferência na opinião alheia, induzir o leitor a interpretar de acordo com minha maneira de pensar, é que eu estou pensando em não mais, utilizar esse recurso para enriquecer(?) os meus escritos.
Também, é verdade que as imagens constituem um verdadeiro discurso visual que caminha paralelo e complementa o texto, enriquecendo a exposição teórica e estimula o interesse do leitor.
Os símbolos ou imagens, que empregamos como recurso ilustrativo, valorizam de alguma forma a obra literária?
A imagem de um homem nu, sentado, pensando no impeachment do Lula, é a mesma coisa do "Penseur" de Rodin?
É inútil discutirmos aqui a diferença muito sabida entre arte e artifício. É suficiente notar que, gramaticalmente, tem a mesma raiz. Pois basta que duas coisas tenham gramaticalmente a mesma raiz para não terem a mínima analogia.
Se dou ao leitor uma imagem que ele não tinha antes, ela o faz; ele a refaz. Ou, rebusca na memória - e há de se encontrar logo uma reminiscência qualquer de qualquer coisa lida, vista ou ouvida. É ou não é?

domingo, 29 de novembro de 2009

ESPANTALHO


Sou espantalho
Afugentando a tristeza
Braços abertos ao sol
Estático e inócuo.

Também na noite pálida,
Abrigo desencontros.
Sou refúgio do desalento,
Cumplice cego do silêncio.

Encerra em meus lábios
O pranto de eras.
Aleluias imemoriais
de palavras desnecessárias.

Testemunho descrente
a apatia lunar.
Minha ultima tristeza
esquecera de mim.

Em vigilia vigio
os sentidos
cinco, dez, vários
Feixe de palhas ao vento.

Junto com meus ossos-folha
Velamos a noite.
Como rosa dos ventos,
Mastigo todas as direções.

Passáro leve
Pousado em meu ombro,
Asas partidas por
Não saber onde ir.

Bate asas também dentro de mim,
O querer voar, enfim,
Nem trabalho nem sonho,
Apenas, sina de espantalho.



sexta-feira, 27 de novembro de 2009

VÁRIO TEMPO


É tempo de amar
Amar o tempo
O tempo todo
Todo o tempo

Amar o vento
Amar ao vento
Mesmo lento
Não importa o tempo

Nem o grito
Nem o voo chegam lá
O tempo desfia as eras
e passa...

Voa célere
Mas o eterno
Não tem pressa
Torna-se tudo e nada.

Tempo que fugiu
Tempo que não chegou
Nem passado
Nem porvir

O tempo é o caminho
pra viajar a tristeza.
Mas, cada dia chega ao fim
Uma ermida, enfim...

O tempo cessa.
Um retrocesso
Na roda do mundo,
Um vagalume na escuridão.


T@CITO/XANADU

terça-feira, 24 de novembro de 2009

BLOGAGEM COLETIVA


Um conto de amor com cheiro de néctar da flor


Como seria o não haver,
A comunhão de nossas almas,
Os suspiros e olhares?
Seria, talvez, como a morte?
Ou, sorver pouco a pouco o amargor da inexistência?
Melhor seria, então, morrer de tanto sorver esse néctar tão doce e perigoso, que de tão parecido com o amor, até o é. E neste amar, invento o texto e o contexto no qual você, inteira, acabará por se formar.
Sinto seu cheiro como torpor a embriagar-me os sentidos, eu a quero minha e apaixonada, o frescor de seu aroma de flor a percorrer os atalhos da paixão. Ver correr e jorrar de ti, o néctar que busco como lenitivo balsâmico para minhas dores angustias e tristezas, como fonte de inspiração para doces momentos de encantamento e paixão.
Quero também tua essência, não te invento o gosto inesperado. Pois, de nada vale se recolhido em sua concha dócil, na qual me enlaço e me faço conhecedor das artimanhas do amor.
Teu amor me perturba um pouco. Denso ele ata invisíveis cadeias em meus pulsos. Mas, não fujo das armadilhas suaves que pressinto a cada passo, que não evito...
Teu amor amadureceu em mim na quinta estação e a terra toda, meu corpo, transpira em seu néctar, momentos que já são eternos. Como saber da tua essência, sem o roçar suave do meu rosto em sua vegetação rasteira?
Aqueço meus sentidos com quente e inebriante perfume, sinto sob a língua a sede ávida de água e mel dentro de ti submersos. Indecifráveis promessas, coisas tuas, só tuas.
Não me acostumei a teus segredos, nunca é igual o sabor da fruta escura do teu sexo.
Uma fúria infinita volta a mim e trucida este macho inconseqüente, que de tão inebriado e submisso, fez toda secura do deserto se manifestar e acabou com qualquer vestígio do néctar da tua flor.
Encantada, admirada, ficas a ver meu furtivo atrevimento, meu procedimento impetuoso. Gosto tanto que lhe espanto. E num relance, também tomas teu caminho, indo e vindo em suas próprias rotas. Mudando sempre, sumindo, indo e vindo...
Desnorteando ao redor, ou esperando a calmaria, livre, aberta, alerta. Do movimento, só o refinamento do espremer plácido do sumo que consomes em tuas entranhas. Abasteces-te, te completas de mim com meu mel, me liquidando, nos transmutando.
Então, derramas sobre o meu corpo o volume imenso do teu olhar. Depois, fecha os olhos, e como lendo em BRAILLE, me vê com seus toques; mãos, boca, saliva...
E não apenas com esses toques inunda-me novamente com sua inundação, com seu néctar, suco, água. E de seu olhar parado, dá para mim somente as lágrimas do seu desejo agora saciado.
O néctar que há em ti, diferente do que há na flor, guarda-se em frasco de pequeno tamanho e grande fragilidade, é o teu mel, o mel da mulher. Difícil de ver, entender, saborear...
Mas, quando visível, deixa terno o homem vidente. Evidente, deixa patente a fragilidade, a doçura da mulher que o contém.
Eu sei, eu vi, eu provei. E agora, minha alma aguarda o sofrer que faz retirar-me num retiro de deserto: Sem leite, sem mel, sem carinho durmo com gosto amargo, sonhando com o néctar que ainda não foi provado, saboreando o perfume e o gosto que me restou.


T@CITO/XANADU

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

VAMOS FALAR DE POETAS




Desde priscas eras, quando se fala em poetas, a imagem que vem à cabeça dos desavisados é aquela velha figura daquele indivíduo de longa cabeleira desgrenhada, e que vivia eternamente fora da realidade, sempre imaginando quimeras para colocar em suas poesias.
Sempre se imaginou que, para ser poeta, a pessoa teria ser um alienado, vivendo fora da realidade, pois afinal, poesia é fantasia, é utopia... Rimar, rima, mas não é totalmente verdade.
Os poetas, bem como músicos, pintores, contistas, são pessoas normais com as mesmas necessidades de todos, apenas com sua sensibilidade mais desenvolvida. E sempre com uma experiência de vida um pouco mais rica, o que permite melhor ir buscar suas fontes de inspiração. E desenvolver essa inspiração.
Para dizer a verdade, todos temos algo de poeta dentro de nós. Simplesmente alguns tem mais facilidade para soltar suas idéias. Não tem vergonha de expor sua alma, de mostrar ao vivo que tem um espírito romântico. O problema é realmente esse, ou seja, muitas pessoas não conseguem "soltar seu interior", pelo famoso medo do ridículo, por não terem confiança naquilo que escrevem. E talentos são desperdiçados.
Os poetas trazem dentro de si uma vivência muito grande, pois revelam seu interior através de suas poesias. Já um certo Sigmund Freud (tinha que ser ele para explicar isso), nos deixou uma frase lapidar a esse respeito, vejam:
Seja qual for o caminho que eu escolher... um poeta já passou por ele antes de mim... Sigmund Freud
Com isso, nosso amiguinho quis dizer que um poeta, para ser poeta tem que viver bem intensamente a vida... passar por todas as experiências (ou quase todas), porque deve ter um espirito acima de tudo capaz de perceber as sutilezas da alma humana, e colocar para fora toda a sensibilidade de sua alma e isso não é muito fácil para quem não viveu, e não soube extrair da vida as lições que ela nos deixa.
Através da poesia, o poeta mostra sua alma, conta sua história, realiza suas fantasias, suas quimeras. Há que se saber ler uma poesia, é necessário "ler" as entrelinhas, sentir as sutilezas da "alma poetal".
Muitas vezes é através das poesias que o poeta expressa desejos não realizados, ou conta episódios vividos, deixando sempre para quem o lê a interpretação que cada qual entenderá. Para alguns, é um felizardo que viveu todas as emoções descritas, para outros, um frustrado que não consegue realizar seus desejos e o faz através de seus escritos.
Esse é o grande encanto da poesia... deixar no espírito de quem lê essa grande dúvida... se ela representa apenas uma utopia, ou uma realidade.
Se o poeta é aquilo que ele escreve, ou escreve aquilo que deseja ser.
Se é realmente um romântico, ou se apenas escreve bem sobre romances.
Se realmente está apaixonado, ou se apenas é um "amante do amor", ou seja alguém que cultua o amor como o melhor sentimento que uma pessoa pode ter.
Sempre fica na imaginação o que realmente estará por trás do que é escrito.
Se aquele alguém a quem uma poesia parece ser dedicada é mesmo alguém de carne e osso, ou se apenas representa o desejo do poeta, em sua eterna busca da musa inspiradora.
Muitas vezes um poeta feliz e realizado na vida, poetiza sobre tristezas... Talvez sua alma seja triste. Talvez conte as tristezas de alguém, quem sabe?
A grande verdade é o romance da vida, que sempre nos traz episódios de alegria, de felicidade, de tristeza, de infelicidade, e a sensibilidade maior ou menor que tenhamos de contar esses episódios.
Poetar é um excelente exercício de memória e de imaginação, que todos devem experimentar. Mexe com os sentidos, e desperta sentimentos que muitos julgavam adormecidos.
E com esse espírito, que, poeticamente, desejo a todos UM LINDO DIA.

Marcial Salaverry

domingo, 22 de novembro de 2009

H U M O R


MASCOTE DAS OLIMPÍADAS

TOCHA OLIMPICA







quinta-feira, 19 de novembro de 2009

PROCURANDO


Sou eu que procuro
palavras submissas
à noite dos vôos

libertos. E muitas
vêzes o pássaro
aparece silencioso
e desfigurado,
anunciando os mistérios
dos ventos frios das

grandes lamentações.
Vejo germinando
acontecimentos
nas paredes do meu quarto. São raízes
que vem do passado,
tentando acorrentar
os meus desejos que
se projetam para
além do mar
insaciável, do
mar intransponível.
E o pássaro, na palidez
dos seus gestos, quebra
a rígida coloração
da madrugada, mergulhando
no mais profundo dos sonos.
E os meus braços se

estendem para
o alto, bem para perto
das nuvens, debruçadas
sôbre o velho postal
que relembra um antigo
sonho. O sonho da
procura e da submissão.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O P Á S S A R O


O pássaro faz sua história com seu canto. A sua vida interessa menos, voa livremente e sabe de si mesmo.
O homem vive aprisionado em suas manifestações e canta a sua dor.
A sua história e a sua vida somente são reconhecidas se primeiro morrer...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

CORACIONAL


O selo CORACIONAL, foi uma gentileza da Jaqueline do blog certas linhas tortas, ao xanadu/poesias. Como é de praxe, este também tem regrinhas, que seria indicar oito blogs e presenteá-los. Mas, vou tomar a liberdade de oferece-lo a todos os amigos que o queiram.
Sintam-se a vontade para levá-lo, desde que citado a fonte.

RECADO DO VENTO


Se ouvires um sussurro envolvido em ternura,
Insistente a seguir-te,
Não cuides seja o vento que murmura
Nos verdes prados:
É que o meu pensamento,
Cercando de atenção teu vulto cativante,
Um anseio de amor, fundo e sentido,
Segreda ao teu ouvido...

Se roçar tua boca um frêmito, um afago,
Assim como se fosse a brisa mansa
Que excita e que arrepia a água quieta do lago,
Não cuides que uma abelha caprichosa,
Confundindo o teu lábio com uma rosa,
Veio a colher o néctar dessa flor:
É que o meu pensamento,
Dando rédea ao meu sonho, ao meu desejo,
Acerca-se de ti
E te leva a carícia do meu beijo...

domingo, 15 de novembro de 2009

H U M O R







sexta-feira, 13 de novembro de 2009

FALAS DE JARDINEIRO


Ninguém podera ter flores
Se não amar seu jardim.

O amor que fecunda a vida
Também cria a primavera.

E o sangue nos espinhos
Sonha e desperta a corola.

A alma é a chuva e o sol
e o toque do Beija-Flor.

De tanto cultivar,
já não sei mais o que é prosa.

Se a rosa
Se o espinho.

Rego a beleza e a dor,
Sopro e sangue já são um

O perfume e o Beija-Flor
Também são um...

Inventei a primavera
Pintei matizes e a cor.

Tenho na face enrugada
Arabescos de espinhos

Escritos de um conto de buscas
Hieróglifos escritos

Por mãos que tecem
Buscando alcançar a rosa

Devo um dia atingir
A perfeição da pétala

A pétala e a cor
Um poema de amor.

Amor que já foi dor
Foi espinho, foi flor.

Um dia desalento
Outro abrigo e calor

Foi até felicidade
Foi vida e foi morte

Hoje é somente flor
E... Poeta sonhador.




quinta-feira, 12 de novembro de 2009

LUZ ACESA

Foto / Rita Teixeira

O coração faz que dorme
O escuro sabe segredos.

O néctar amargo dos medos
Nutriz das horas solitárias
tece o enredo
Para a noite prima-dona.

É o tempo, rota de vôos
Para viajar a tristeza.
Onde vai o escuro do instante?
A alvorada descerra nas
águas do dia.
Os patuás da mandinga...
E ser nada.

Quando percorro meus porões
Ainda encontro a dor,
Acordada no breu,
Petrificada.

A boca da noite
Sussurra insônia sem fim
Para que luz, se durmo
de olhos fechados?

Eu até me esforço,
Mas,
Por mais que eu abra os olhos
E brilhe a luz,
Anoitece.

(Deixa pois, a luz acesa!)


T@CITO/XANADU

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

OLHOS FECHADOS


Desligo o tempo
Vagueio sonambulo
Nos momentos vazios
Faço coisas
Até versos insones
Perdidos no ontem
Arrasto na bagagem
Dias enfadados.
Canto para espantar o tédio
Minutos lamentam as horas
Sopro vestígios para longe
Sufoco-os sadicamente
Desabafo até matá-los.

De olhos fechados
Me bastam os pensamentos.
Silencio e sufoco, no silêncio
A lógica que humanos não alcançam.
Procuro não ouvir
A voz das vagas quebradas,
Não importa ouvir
Mais que o pacto dos sentidos.
Quando abrir os olhos,
A necessidade encherá o vazio.
Preciso de um porto,
Ancorar sem lembranças.
Apenas uma canção
Mal guardada dentro de mim.

Uma luz toca-me as palpebras
Para que a sinta.
A percebo mas não alcanço
Tanto quanto
A incompreensão
E o que compreende
Esses estreitos limites
De não poder abrir os olhos
Pedir ajuda a Deus
Na ridícula vaidade
De bastar-se.
Quem dera ser outra coisa
Para não precisar me ver!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

EU PROVEI


Comer com você é uma experiência.
Ver você comer é um acontecimento.
Comer você é a essência.
Olhar você me olhar é excelência.
Sentir o desviar,
O ir e voltar,
É vivência



domingo, 8 de novembro de 2009

H U M O R


WORKAHOLIC
Quem não gostaria de ter uma secretária dedicada assim?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

SONS NOTURNOS


Ainda me aborrece
Essa tristeza vagabunda que
O tempo e o vento
Faz uivar através
Das tábuas podres
Da minha casa
Sem quintal

Acendo o fogo com
Um único e solitário
Palito de fósforo
Mesmo o vento assoprando
Muitos assovios.
Aqueço os cupins que
Roem a cumieira

Ouço as queixas dos favelados
Temem que as estrelas
Possam vir mordê-los,
E metem-se no buraco
Do Mickey Mouse
Espero que ele não se incomode
Tem que estudar para a prova de Geografia

Deito em meu colchão
De penas de anjo
Colo o ouvido na fronha
Nem Sinatra, nem Jannis, cantam...
Ah! como zombam de mim
As tábuas podres
Se o fogo apagar... Acabaram-se os fósforos!

A Marli tem seios e meios
De fazer carícias no escuro,
Fala que vai chover...
E que as tábuas podres
Podem se vingar das estrelas.
Me perco olhando a cartolina azul
Pregada na parede...

Não sinto ventos nem brisas
Mas a calmaria medra
Nos horizontes do dia
Ela sempre de olhos abertos
Quando estou adormecido,
Seu corpo me aquece,
Não faz diferença se o sol não aparece...

A tristeza já extinta
Abriu meu íntimo
Preencheu o vazio
Das tábuas podres
Permitiu sonhos
Arranhou ilusões
Deixou acontecer você...


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

UM DIA APÓS O OUTRO


Na boca
Gosto amargo
De coisa perdida
De tempo
De saudade.

Palavras ficaram
Guardadas
Grudadas
Na boca
No peito.

Desperdicei meu esperma
No silêncio uterino
Transporte do destino
Avenida afora
Transeunte oportuno.

O que não fui hoje
É o que há de me
Esmagar amanhã,
Os de amanhã
Hão de ver passar...

O andor das dores ambulantes
O tempo de olhar o mundo
A luz nascendo nos dedos
O joio e o trigo no mesmo lagar
O cumprimento de sonhos e profecias.

(Jamais faltei um dia sequer!)


terça-feira, 3 de novembro de 2009

S E L O


Gentileza oferecida pelo blog do amigo FRANCK
A regra seria indicar 15 outros blogs.
Mas, tomo a liberdade de oferecê-lo a todos os amigos que o queiram
desde que citem o blog que o ofereceu.
Obrigado FRANCK!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

AMANHECENDO


Manhãs vão chamando outras manhãs
A manhã é geral
Aqui e ali, e além
Além da terra
Além do cerrado
E de passagem derrama
Cristal de claridão
Em minutos, quando o sol
Entrar pela janela
Irá inocular calor
Em meu corpo, que já desenha
No assoalho
Os primeiros contornos
Da minha fuga
Tomo o café na rua
Visto a fantasia de verme
Abro os cadeados do dia
Metais tinindo ao sol
Zoeira de buzina
Serei assim assado
Dentro do trânsito
É pouca a página
Para descrever
O campo de batalha
Ninguém ouve
O desovar de uma vida
A minha vã prosopopéia
Dá a idéia de ser
Inútil, sem esperança
A minha vã poesia
Dá um contorno de fotografia,
Brilhoso e distante.
Hoje não passarei no
Bar da esquina
Tenho medo de
Lá me deixar ficar
E reescrever esse poema
Que se fez por si só
Pedaço por pedaço
Triste de ser solitário
Num apogeu de sol.
Não tenho os olhos
E as mãos de hoje cedo.



domingo, 1 de novembro de 2009

D O M I N G O


Eu ia ser feliz
domingo
Naquele tempo
Bastava pouco

Não sabia que no
domingo
é fácil
chover

e muito difícil viver

Ah, eu ia ser feliz
Mas
domingo Deus descansa

e a gente sofre mais

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

PINTANDO DÚVIDAS


Não sei se é
Amor
Ou
Minha vida que pede
Socorro

Se eu imaginar
Seu rosto
Estarei criando
Uma imagem
Um rosto

Sem a emoção
Da melodia
Sem a ternura
Sem ter a neura
Da ternura que eu devia

No entanto
Imaginarei seu rosto
Sim
Mas sem saber quando
Em que desgosto

Me atrevo numa pintura
Com um traço
Acendo um riso
Com uma sombra escura
Dou te semblante indeciso

Na tela baça da distância
Há muita tinta cor-de-cinza
Te deu estranha aparência
Não posso dizer, é isto
poderia ser um Freud ou um Cristo


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

DE NOVO A ESPERANÇA


Acena do alto de uma montanha
A esperança,
Um lencinho branco rendado.
A paz percorre, e descansa
Meu corpo quebrado,
Narcose estranha...

No entanto, sei
de suas idas e vindas.
Nela nunca confiei
Está sempre partindo.
Mesmo que acene de longe
sabe que é bem vinda.

Ela sabe que sempre lhe esperei
Com a calma dos que semearam
porém, nunca como agora, acreditei.
Assim, as sementes brotaram
Toda esperança, toda magia.
Nunca morrer, enquanto viver.

Tomara, nunca chegue o amanhã!
Ela haverá de entender a mensagem.
Busco o hoje sim
Por isso, sobra paisagem.
Minha esperança e lanterna,
Que ilumina um jardim.

De longe és bela, e bela é a solidão
Teu lenço é um cortinado incerto
Descerrando o branco do céu nublado
Deixando ver o sol e seu clarão.
Não sei se por bondade de si
Tenho você no olhar, e a luz que ainda não vi.


terça-feira, 27 de outubro de 2009

TUDO ILUSÃO . . .


E, depois que aquele domingo
é tão longe...
Nem mais me lembro
se já houve outro dia
Que tanta música trouxe
a todas as arquibancadas.
Lonas esticadas
De existências cruzadas
Charanga tocando, gentes sorrindo,
se amando.

Abrem-se as cortinas e deixa entrar
Das crianças curioso olhar...
Mágicos, palhaços e equilibristas
Dançando sempre, cantando sempre
Alegres, sempre rindo sempre.
Vivenciam tudo
Sentem tudo
sem trilhos
Com brilho
Nós
Voz

Na
Palheta
De cores
Bem iluminadas
Palpitam os saltimbancos
Atores de amores e horrores
Cantam-se as amadas imaginadas!

E que moça é
Quem uma flor (lilás) traz
E na ponta do pé
Um sorriso faz?

Quem dançando vem
E se eu pergunto,
Diz não ser ninguém?

E ainda falou assim dois pontos
- queres mais que um sorriso?

acaso não te basta
o reflexo do meu rosto?

(O tempo não é só alegria, reflito.)

- Entretanto
este instante
é só rir.

Dançando seguiu ela
Picadeiro afora
ou era gênio
ou era louca.
Era bela...

Pelas ruas de Aquarela
O olhar cheio
A flor na boca.

Nas minhas fantasias
Não há metáforas, prepare-se
Para vê-las pela primeira vez.

Mas não se preocupe!
O espetáculo está prorrogado:
Olhe pro céu (agora)
e veja...


T@CITO/XANADU

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A L M A


Há em cada coisa, um canto, uma poesia,

Uma melodia bela.

E muitas vezes, o homem deixa de ser fera...

Para, aprecia, sorve-a e se enternece.

Porém quase sempre se esquece.

E vai sendo levado no torvelinho da vida.

Onde estão os ideais dos meus vinte anos?

Eu já não sou mais eu, nem mesmo na casca.

O preço da vida é a metamorfose,

Do corpo e da alma, do indivíduo e da raça.

Contudo, mesmo o cristal partido,

Continua cristal em sua essência

E não é menos puro.

E num canto profundo, escondido, escuro de nosso ser,

Há um desejo do belo, do eterno, do incorruptível...

Há uma saudade de DEUS !

domingo, 25 de outubro de 2009

H U M O R






sábado, 24 de outubro de 2009

NAVEGAR A NOITE


A noite me conduz

Às margens do amanhã
cresce como arbusto
a esperança

De onde estou
te aviso

Respira comigo
a paz - já inquieta

O barco da noite
é lento
quando transporta o coração

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

CONFRONTO NA CAMA



Deito com este corpo
Que sei não estar morto
Apenas desmaiado de prazer
Domado para não mexer.

Asma ofegante, claro!
Qualquer coisa astuta
Arte e manhas de mulher
Artimanha de puta.

Fêmea faminta, tantos zelos
Quando pintar os seus pelos
Esqueça o fio que nos deixa presos
Quero embaraçar meu poema em teu novelo.

Nada pode haver noutras artes
Noutras partes, é aceso o cio
Que me enche e afunda
Os lances largos desta bunda.

Acordo cedo
Para de novo te desejar
Insisto para ficar
Armo ardis para voce demorar.

Te espero de novo
Com hálito de menta
Um banho, um renovo
Já te vejo atenta.

Vem o desmaio do prazer
E ainda, não basta a ti.
Acho que deveria
Ter te deixado ir...

Tuas fantasias, marcas, murros
Desfia em meu pavio
Esvazia o meu vazio.
Ranço grudado em cada fio...

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

INFORTÚNIOS DE POETA


Quero o desatino
Quero o delírio
Quero a azáfama da loucura
Quero as artimanhas insidiosa da paixão
Quero a gangorra do desvario
Quero embriagar-me os sentidos
Quero saciar a sede de antigos amores

Embora, já se tornou inútil
andar querendo
andar sofrendo
andar sentindo
ou andar, simplesmente
De minhas mãos se desprendem
gestos solitários
tenho esperanças
tenho sementes
mas não tenho terras
onde semear

Não sinto
Sempre soube que não sinto
Consciência do não-sentir,
plena e total.
Coisas existem em mim,
situações vivem minha forma
Sem personagens
Sem encontros
Distâncias se realizam
e cada caminho é direção inexistente
que se fixa no nada.
Venha de onde vier,
pode ser de longe muito adiante.
Só há uma distância para mim:
Aquela que construo e conquisto,
a partir de mim mesmo
e do mais em que vivo.
Penso no teu nome
como uma confusão de letras
que alimenta minha sozinhês.
Te escrevo
Palavra e mulher
Querendo tua presença
Somando meus espaços noturnos.



segunda-feira, 19 de outubro de 2009

OS OLHOS


Que água tão funda
Cheia de ossos
Negra e distante
Dos meus e nossos.

Porque há viveres
Tão divergentes
Que nem sonhamos
Acontecentes.

Que águas tão negras
Entre esses cílios
Fitam paradas
Calando idílios.

Que move os gestos
de sua dona?
Impenetráveis
De linda tona

Ah! Que organismo
Tão semelhante
Mas diferente
E tão distante!

Água parada
Dos igapós
Que é tanto ela
Tão pouco nós!

domingo, 18 de outubro de 2009

H U M O R

sábado, 17 de outubro de 2009

GONE TOO SOON



Esta música é um tributo a Michael Jackson, e ao tentar traduzi-la, fiquei um tanto surpreso e emocionado ao ver que ela explica uma vida.
Em nossas vidas sempre há alguém que foi embora muito cedo...
Na minha também há...

A tradução vai abaixo:



"Acabou tão rápido...."


Como um cometa
Cruzando o céu ao anoitecer
Acabou tão rápido...

Como um arco-íris
Sumindo em um piscar de olhos
Acabou tão rápido...

Brilhante, cintilante
E esplendorosamente radiante
Aqui, um dia
Tornou-se em noite

Como a falta da luz do sol
Em uma tarde nublada
Acabou tão rápido...

Como um castelo
Construído na areia da praia
Acabou tão rápido...

Como uma flor perfeita
Que está fora do seu alcance
Acabou tão rápido...

Nascido para alegrar, inspirar, encantar
Aqui um dia
Tornou-se em noite

Como um pôr do sol
Morrendo com o nascer da lua

Acabou tão rápido...

Acabou tão rápido...



T@CITO/XANADU

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

NO MAR


Com seu vestido de açoite
Desce a noite
Num vento à toa.

Por seu turno
O céu noturno
Estampa a lua.

Uma ondina cadente
De repente
Fica nua.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

S E L O


Mais um selinho, gentileza do Blog da Almerinda Martins. http://almerindamartins.blogspot.com/Deveria repassar a outros 10 Blogs
mas tomo a liberdade de colocar a disposição de todos os amigos que o queira.


PAIXÃO E LUZ



A Noite
E teu
Ariano
Corpo pálido
E raro
É um rasgo
Obscuro
De paixão
E luz
Na escuridão
Existencial.

Procuro
Encontro
E me afundo
- Realização plena...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

DA FINALIDADE DO SOM


Não trago mensagem na voz!
Quando escrevo,
é a vida que exercito
para que tudo que exista
em mim fique escrito

Por isso não trago
mensagem na voz

É missão de
quem escreve
apenas
Eternizar o que foi breve...

(Pobres animais feitos de queixumes somos.)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

CONTRADITÓRIO


Ficamos torcendo
Para o tempo passar rápido
E ao mesmo tempo
Morremos de medo de envelhecer
Duas coisas contraditórias.

Mas os caminhos
São sempre os mesmos
Diferenças são só as auroras
Só as torturas apenas
Os gritos e mais nada.

Hoje não quero
um poema
trans bor dado
de palavras...
T@CITO/XANADU

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

SALADA MISTA



- É esse ?
- É.
- Pêra, Uva, Maçã ou Salada Mista?



De um sorriso restou a dor
Dos nossos lugares, lugar nenhum
Do que era oferta se fez clamor
De mil carinhos, carinho algum.

(Pêra: Um aperto de mão)


De pura, vos é pena pressentir
Que é puro, nus,
Dois corpos confundir
Que se apertam, se esmagam,
que se abraçam.

(Uva: Um grande abraço)






Muito doce o Amor

Da primeira vista.

Os carinhos, beijos,

a doce conquista.

Muito doce o amor

Dos primeiros anos.

Depois vem os erros,

Vem os desenganos.

Doce, doce, doce:

O doce cativo

Cárcere de açucar,

doce enjoativo.



(Maçã: Um beijo no rosto)




Falo da tua fome

Falo na boca.

Palavras não existem

Com o mar na garganta.

E levo este sal

Entre o arado dos dentes

para o vão de tuas virilhas:

Cicatriz azul

Manchando os lábios vermelhos.

(Salada mista: Beijo na boca)

T@CITO/XANADU

domingo, 11 de outubro de 2009

H U M O R



" A linguagem serve para

comunicar. Mas comunicar,

para os humanos, não é

somente transmitir informações.

frequentemente, fala-se para

não dizer nada, ou diz-se o

contrário do que se quer

realmente dizer, ou ainda o que

o interlocutor já sabe."

Marina Yaguello - (lingüista francesa)

BOM DOMINGO A TODOS !

sábado, 10 de outubro de 2009

S O N H O S


Por ter sido jovem o meu sonho,
o que fiz
fiz imperfeito.
- Reconheço e aceito o preço.
Sem me dar por inteiro
às aprendizagens do amar.

Outra face me
torna a vida
porque capto a poesia.
São passos lentos agora,
- tem pressa não sonhos
resta me o escuro.

Tivessem os sonhos
mãos verdadeiras,
e arrancassem das veias
o grito terrível
que rompe a pele dos dias,
o pleno nos abateria.

Escrevo poemas
dentro da noite ou
perante qualquer amanhecer,
porque se escrevo
é para viver
e não para sonhar a vida.

Descubro tarde
a dor da ignorância
retida no grito que não sai,
enquanto o sonho de amar
custa fazer-se manhã,
vou gritando através do poemar.


(oração e sono para ela...)


T@CITO/XANADU

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

3 000 VISITAS


Hoje o Xanadu Poesias comemora (e bebemora), a marca de três mil visitas ao blog em seus dez meses de existência. Não sei se é uma boa marca, há blogs que recebem 3 000 visitas em um único dia. Bem, não é esse o nosso objetivo.
A mesa é só um pretexto para que nossas garrafas se esvaziem, que a nossa magia transborde os copos. mas, amanhã vai me invadir como ressaca, um vazio do tamanho do vazio. A nossa alegria ganha a vida, ganha a noite, contra o mundo dia-a-dia.

Quem acompanhou o blog até aqui, entenda que a morte, (a não vida) frequentou meus poemas,(há quem os ache tétricos), mesmo que as pessoas não tenham por ela, uma fixação genética, é como o medo que as mulheres tem das baratas, a morte me fascina, com um leve sabor de missão cumprida. missão repartida aos poucos, diferente a cada instante, dolorosa a cada guinada, deliciosa a cada começar.

Por que não fascina a todos a morte? Será pelo envelhecer ou será pelo penar? Pelo desconhecido ou por apego à efemeridade terrena?. Quando me aproximo da resposta meu coração me ignora, deve ser pela idade que ele tem por fora.

Quando me encontro sombrio, meu coração não se encontra dentro de mim, e vejo a algazarra que ele apronta. E quando percebo que a vida não é mais forte que a morte, me desmancho em poesia. Num instante, num momento transformo tudo em poesia. porque num instante, num momento só, tudo se move. De um instante para outro instante, morreu José, nasceu Joana, Pedro matou, Isabel continua sua vida. Num pequeno momento a história do mundo se faz, nos atos e no mundo.

Neste jeito, contudo, sub-humano de quem se deixa matar, vou matando as possibilidades de morrer...




T@CITO/XANADU










quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Á R V O R E


Não sou árvore de parque
Orgãos vege-vitais à mostra,
a crosta
aorta
Paramenta a sebe com
seus ossos-folha
E juntas velam a terra.

Sou árvore do pântano
Parte de um cenário nevoento
Tempestades agitam-me
a coma verde-negra,
e o tronco já não tão rijo
Muitas vezes verga
pelas nortadas.

Essa árvore sou eu!
Os poucos frutos que dei
Não nasceram da seiva
poucos surgiram, e não colhidos
Caíram apodrecidos.

Envelheci em meio a tormentas
Nunca servi de lar ou repouso.
Longo tempo há de passar
até que se complete o ciclo
senão,
não se completa a vida
e não se diviniza a morte.

Então serei quem quero ser!
Encontrarei todas minhas sementes.
Raízes aladas
nutrirão o pensamento.
E nem tocarão a terra árdua
do instante.
Serei móvel
e voadora.
Voarei, e beberei
das águas das estrelas.

Quem vier depois nada saberá
Quem vier antes irá ignorar
Quem ouvir nada contará.
O gemido do mundo ruindo,
das árvores apodrecendo,
da vida acabando...
Dou-te um pouco dos meus anos
como antídoto,
único recurso que disponho
à mercê do tempo que desmorona.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A VIDA ESSE MUSICAL



A vida é como um salão de festas, às vezes
iluminado, cheio de risos, flores e musicalidade.
Às vezes triste, fechado, funesto.
A vida é uma composição de notas musicais,
desafinadas, sob a batuta de um competente regente.
A vida é uma nota de fá, de sol, de lá maior...
A vida é uma partitura DE UMA NOTA SÓ, cujos
instrumentos variam de formas, de companhias, emitem
a vida em melodias.
a vida é uma marionete, composta de fantoches
saltitantes, onde todos se inebriam ao som de orquestras
variadas.
A vida é um show, viver é uma realidade pautada
em trilhas sonoras a serem interpretadas.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

CARTÃO - POSTAL


Guarda o olhar
desta primavera
Amanhã
a gente usa
como lembrança.

Embora não
saiba assim
como me terá o
amanhã.

Fui o amanhecer
para tuas
noites
voz
para teu silêncio

Sem saber como...

domingo, 4 de outubro de 2009

BEM - DITA - SOIS - VÓS


Todo domingo é assim:
Maria se levanta
coloca o melhor vestido
(o domingueiro)
o sapato idem...
Maria-chiquinha no cabelo
véu
terço
livrinho
a bolsa com alguns trocados
(para a esmola)
e Maria vai à missa.
Não vai não Maria...
Fica mais um pouco
hoje é domingo
a cama está quente.
O Silvio Santos começa mais cedo
comprei pipoca
depois irei buscar uma cervejinha
não vai não Maria!
Maria não foi não.
Ave Maria cheia de graça!
Bem dita sois vós.

sábado, 3 de outubro de 2009

P Ã O - E - C I R C O

Foto / André Durão

Hoje o Rio de Janeiro está em festa.
Não haverá noite nos bares
Não haverá santos sem agradecimento
Não haverá assaltos nas ruas
Não haverá copo sem ser bebido
Não haverá poluição no ar
nos rios
nos olhos
Não haverá tristezas nos morros.
8
8
Uma mancha
amarela
crescendo em cambalhotas
e só então
da visão o quadro cheio
do sorriso do palhaço...
8
Hoje tem marmelada?

- Tem sim senhor!



T@CITO/XANADU

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

BOLHAS DE SABÃO


A desilusão é como a queda
de uma altiva estátua de mármore.
É como uma enorme árvore
sem chão, sem folhas.

É como bolhas de sabão
que se desfazem ao vento.
Somem tão rapidamente
e tão rapidamente levam consigo
o que há de mais bonito.
Chega desprevenido,
e frustra um roubado instante
de paixão.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

( A S ) P I R A Ç Ã O


Em mim ilusão sonhada
Jamais escondida!
Alegria atormentada,
Talvez, dor indefinida!

Dualismo na caminhada
Áspero e amargo me trouxe a vida!
Me ofertou o vácuo, o nada.
Abandono a palmeira erguida

Galhos estendidos procuram
na amplidão do nada,
comunhão com o céu, luz, vento.

Embalde, paz de outros
Sou também palmeira,
indago o édem, céus,
à beira dos caminhos!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

T R E V A S


É

outro
caminho apenas

O grito
convertido em silêncio
e ainda outros sonhos
explodindo
agora em
possibilidades
despertando o sono
de tantos apelos
adormecidos

Caminha
pois
sem
medo

Nada te leva aonde não podes chegar!


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

HORA OCA


Esta mania de ser só
desintegrou-me.
Sou nada.
Um coração sem pontes.

Ecos...ecos...cinzas,
não mais,
nos vales e montanhas
da hora oca

e descampada.

Enfim,
o que sobrevive
à voracidade tenaz
da solidão?

(Não conheço a neve.
Conheço o frio,
e isto me basta.)



domingo, 27 de setembro de 2009

Q U A N D O ?


Dói a alma
e ninguém sabe.

O mundo é um deserto
e nada existe.

Logo serei passado invisível,
sem história.

A alma sofre
e ninguém sabe.

E dói mais e mais,
pois, ninguém sabe.

Quanto valemos
em nosso passado
de buscas e embates?


(Ainda a encontro... No fundo, para sempre.)



T@CITO/XANADU

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

I N E X O R Á V E L


Fantasmas surgem das sombras
desejam apagar meus passos
marcados na encruzilhada
do caminho - inevitável destino.

Teimam em não ouvir
a claridade estridente da manhã,
rompendo a virginidade dos horizontes.

Querem, por tudo, violar minha paz
revolver ondas que descançam
no silêncio lânguido
do esquecimento.

Recolho-me então, noturno
deixo-me quedar no fim
da longa e terrível estrada,
oscilante nos pêndulos da procura.

Encosto o ouvido ao chão
procuro ouvir no fundo da noite
um tic-tac de relógio
contando regressivo segundos vividos.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

V I G Í L I A


Este sítio não dorme.
Inércia informe busca engano
e engana. É sem conta a gente estranha
que ausente dessa entranha pensa-a adormecida.
Este povo conspira um modo novo
de conspirar pulsando a ira do sono
no espaço do amanhã.

Nas ruas mudas nas casas
que a treva em treva envolve
não morre o que subleva.
Coisas puxam-se murmuram
vigiam em vigília e no silêncio
espiando o que eu penso
anotem as intrigas.

NÃO. ESTE SÍTIO NÃO DORME !



segunda-feira, 21 de setembro de 2009

P R É - J U Í Z O


Não creio em reencarnação,
mas creio que alguém
antes de eu ter nascido
usou minha vida.

Meus gestos morrem
antes de serem
esboços
e o sorriso
se desfaz
ao encontrar minha boca.

Alguém
já viveu por mim
mas apenas a alegria

Tremendo prejuízo!
8
8

domingo, 20 de setembro de 2009

P O E M E U


Pratico
Poemas

Campo restrito:
Papel e lápis
ocultam o adversário
que dentro se trama
e então percorro
estreitos caminhos
delicadas fibras
lágrimas insuspeitas
se rompem às vezes.

Pratico poemas
ao som de vozes
passos na sala
em ruas
ao sol
Cada poro
de alma
se dilata
e luz revela
o poema - presa exausta.

Limpo-o então
do suor da luta
cerro-lhe as lâminas
da fuga.


Escrito e integro
ei-lo na armadilha

Cúmplices e abatidos
não nos indignamos.



T@CITO/XANADU

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

29 DE DEZEMBRO


Minha lágrima caminha ao lado de você.
Não posso revelar a ninguém.
Não posso deixar a placidez surgir.
A que está pertinho dos meus olhos
Se, de pé, eu afirmar: não estou triste,
alguns se apartarão na franqueza do pavor;
os outros murmurarão: como ele é forte!
Cultiva nos próprios avessos a imagem
do monstro que não está triste.
Mas ao lado de seu corpo jovem e finalizado,
corre meu riacho de esperanças.
como seria bom poder brindar,
a transmutação do seu corpo claro em relva,
e a certeza do dia intemporal em que
vou olhar eternamente
a criancice do seu sorriso.
Vou agora ficar sisudo.
não chore porém, amigos,
que não ficarei triste jamais
e esta lágrima é tranquila
mais do que podemos entender...

(Cães vão se matar em nosso escuro
haverá um pranto exercitando-se em volta)



quarta-feira, 16 de setembro de 2009

S Á D I C A


Procurei, sonhei, busquei
nos caminhos que andei
eu só via você... Só queria você!
*
Você é nua, vazia,
crua e fria
não tem sentimento
pra me dar.

Invenção do amor,
sofrimento do ser.
Invenção do ser
sofrimento do amor.

Trilha de dor, caminho de aspereza
quando unimos nossos laços
tu te fizeste
minha irmã siamesa,
vida infeliz buscaste nos meus braços.

Mulher, nem sei teu nome.
Teus açoites quebraram meus ossos
mordeste minha alma,
me fiz o teu escravo.

A dor é fundo do poço (?)
O masso é fundo da fome.
A perfídia é fundo da orgia.
Da mulher
do homem
e do moço.

Em tua ânsia de destruição
caminhas sobre almas destruídas
e pisa em corações desfeitos.
*
Segue em teu destruir constante,
conquistando e desprezando
a todo instante, corações...
Canibal, toma o que sobrou
do meu!!!


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

EU AGUENTO !


Ficar ao teu sol,
ao teu sul,
sombra de todo o teu mal.
Satélite que não pode encostar
em tuas costas, causa para as
encostas de tuas ameaças.
traço vezos de esperança,
mas me afasta o teu desprezo.

Insisto em ficar
onde estejam
os teus cheiros,
os teus beijos,os
de teus ares malfazejos
ou aqueles que escapam
passando esculacho,
deixando-me de moral baixo.
Aguentarei qualquer indiferença,
Tapas de tuas indelicadezas.
Mastigarei, engolirei
cobras e lagartos,
todo silêncio
para não magoar
as tuas valentias.

Puxarei as flechas desferidas
sem soltar o menor ruído de dor.
Quanto mais me atropeles,
me desprezes, abuses,
mais insistirei em ser de teu uso.

Faze açougue de minhas carnes,
de meus disparos de anseios
e não deixarei de ser escudo
para acolher teus açoites.

H U M O R

Clique na imagem DISPOSITIVO PARA TRABALHAR NA SEGUNDA-FEIRA

domingo, 13 de setembro de 2009

ADORAdor


Dói-me a dor
Se me ameaças apalpos
Se me ameaças a menor distância.

Doí-me não ser tão claro,
em não te alcançar
na mesma constância.

Ai! sabes com cada poro
onde estou.
Ai! força arrazoada,
que me traz prazer.

Trazes intensidade exata
onde me falta prazer.
Onde já me aniquilaste
ainda me deixa sofrer.

Trazes furacões
Para enxovalhar o que sou.
Não brilho ouro.
Não brilho leões ou grou.

Canso-te com minha insistência,
com insignificante idolatria.
Como me apraz,
sofrer contigo os dias!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

B O R B O L E T A S


Por quê vivem tão pouco as esperanças?
E eu vivo delas
Que são quimeras
E nada mais.
8
8
As esperanças são borboletas
E mal a gente as aprisiona
Elas fenecem em nossa mão.
8
8
Na minha casa as coleciono
Numa vitrine da alma
Falenas mortas...
E vivo delas
Vou procurá-las que é primavera.
8
8
Eu vivo delas
Que são quimeras
E nada mais.
8
8

terça-feira, 8 de setembro de 2009

CANTANDO BLUES


A paixão se desenha azul
no seu leito de veludo.
por entre minhas jóias e minhas mãos
-entreabrindo seus lábios.

Desenha uma colcha de mel
No tear dos seus olhares.
Desenha um pio no céu
Como se possivel fosse - Fabricar sentidos.

Como se uma flor se abrisse
e fosse possível observar.
Como se com o ocaso viesse
as auroras recém-fabricadas.
Como se possível fosse
chorar e contar piadas.
Como se eu pudesse
perdê-la numa sexta
esquecê-la no sábado
e ser eu mesmo no domingo.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

BRASIL


O nome Brasil rasgado
por mãos de lobos
por longos caninos
por sinfonias enlouquecidas
em matilhas e escárnios.

O nome Brasil adoecido em gargantas
de aves malígnas oriundas
das sombras
dos poderes subterrâneos
das lagoas da Morte.

O nome Brasil corroído
pela torpeza de abutres
por vorazes tentáculos.
(Como ferem e esmaecem
as letras banhadas desde cedo
nos périplos de nosso sangue!)

As trêmulas bocas
desaguam seus pavores
sua sequidão
pelas ruas do pânico.

As mais áureas cadeiras
as mais altas vozes
são barro e abismo
às legiões em sonhos.

O nome Brasil perde
o verde e o ouro
os rios e o sol
nos ventres desvairados.

Línguas de ruminantes
a flutuar sobre
natimortos e horrores.

O nome Brasil palpita no fel e na noite
(loba a soluçar por filhotes
esquálidos sugados
pela insanidade dos ventos).

O nome Brasil - ave alvejada
em ninho decoberto
por infernais mandíbulas
por nédias mãos ocultas
por baús de corsários palacianos
- a debruçar-se em prantos.

O nome Brasil
(impaciência em chamas)
no macerado rosto dos homens
no tremor das flores e veredas.
(Poesia Panfletária de Joanyr de Oliveira)

domingo, 6 de setembro de 2009

DEPOIS DE TANTO AMOR...


Trocando olhares
No silêncio do Silêncio
Rompido por um sussuro.

Múrmúrio de doce paixão.
Promessas de amor
Eu te amo, eu te amo.

É o bordão que ressoa

É a alma que ecoa.

Até o silêncio é dito em versos
Versos de amor dolente
Dissolvem sem ser canção.

Sono morno e quieto
O abraço do cansaço
Um poema de sossego.

Pela janela aberta

Misteriosa escuridão...

Há música no fundo
Camuflada nostalgia
Palavras, murmúrios, segrêdos

Memória de era intemporal
Magia da lembrança
Nesga de tempo...

Mente em tentativa de mergulho

Impossível, mais leve que o ar.

Durmo meu sono letárgico
Posso acordar e não ser amanhã
Ser ontem ou futuro distante.

Não quero ir
Preciso ficar

Não pára aqui, o amor não termina

Apenas o velho relógio

Avisa que é madrugada.

(Verbo é ser...é silêncio!)


T@CITO/XANADU

sábado, 5 de setembro de 2009

E POR FALAR EM SAUDADE...


Ainda é tempo de semear a paixão
Perdi a manhã mais bonita
Semeando um amor inexistente
Levou-o o vento
Pelas planícies do adeus.

Sementes indecisas,
impregnadas de você.
Que fazer de suas partes ausentes?
Mas se for tempo de aguardar,
Preciso saber...

Brotou saudade de asas abertas
Descubro tarde
Faltou-me o gesto jardineiro
Minhas mãos não são só minhas
Partilhadas estão.

Junto a outras
Erguem-se à solidão.
Com o barro em cada mão
Moldo o jarro
Feito em arte ou não.

Brôto de vida e sonho
Na manhã semeada
Desperta carinhada
Parida
Florida


(Não precisa deixar a luz acesa!)



sexta-feira, 4 de setembro de 2009

S A N I D A D E



Que me digam as visões da alma
Onde anda o fogo sagrado
Que abrasa sem queimar.
Quero essas chamas
Que prometem me levantar
Renovado sempre que quiser.

Junto a mim só o inferno
Que conduz a labuta,
Este não restaura.
Tende piedade!
Quero uma pausa,
Quero a alma purificada.

Esvaio-me por um tempo,
Logo volto com uma idéia
A mente inspeciona,
Enfim é dela o desejo
Escava os escombros
Julga e condena.
**
Separa o que te convém
Lança ao pó o que tira de mim
Toma-me o que lhe pertence
E depressa parte
Fico na obscuridade
Vácuo do realismo que não preciso.
*
*
*

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

NATUREZA MORTA


A natureza morta é feita por homens, mas não sobre eles.
(David Ribeiro - Artista plástico)

(...) e assim acontece com o nosso passado. tentar recapturá-lo é um trabalho em vão: todos os esforços de nosso intelecto se provarão ineficazes.
(Nietzsche)

Considerando alguns conceitos sobre natureza morta, pude chegar a conclusão que o passado, se esconde em algum lugar fora desse domínio, para além do alcançe do intelecto, em algum objeto material (na sensação que aquele objeto nos traz) do qual não temos a mais vaga idéia. E depende do acaso nos depararmos com esse objeto antes de morrermos.
via de regra natureza morta é o genero de pintura em que representam coisas ou seres inanimados.
Não sendo humano, e estando morto, e partindo do pressuposto que esteja inanimado, seria o Cristo crucificado uma natureza morta? Eu poderia dizer que é uma natureza ressuscitada?
A diluição das nossas caras na luz pouca do sol ou dos quartos, será sangue para os nervosos pincéis do poema que se desprende:

Nada sei sobre como conceber
Uma anti-natureza morta.
Sei que no porão da memória
Há muitos livros e um violão sem cordas.
Há uma luz em que posso notar
O sinal de um crucificado
Que caiu do madeiro.
pouca luz em tudo isto
Coada por soalhos, por sonhos
Impressões de ironica superfície.
Suficiente. Mais que suficiente.
Esta é a pobreza amada
da anti-natureza morta (?)
que contemplo sozinho.


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

SIGO SÓ


Venho do cansaço
venho de outra vida;
de um vão do tecido
que esta dor sutil

tece e desmancha. É
um caminho meu
e ninguém no mundo
deve vir comigo.

Não falo de planos.
Querências - não mais.
Um caule sorrindo.

Da vez esquecida
trago peso e marca
sede e dor no corpo.



T@CITO/XANADU

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A PALAVRA DA POESIA


Ivan Pessoa*


Com o passar dos anos, a filosofia e a ciência parecem envaidecer aqueles espíritos, os mais arrogantes, dando a impressão que muitos dos problemas desta vida, são passíveis de resoluções, basta um olhar objetivo sobre o drama. Não que à filosofia, bem como à ciência, se assemelhe à arte da taumaturgia, não lhes cabe o poder da cura, tão cara aos místicos e curandeiros, mas a parcimônia das análises, os experimentos, parece dotar a ambos, filósofos e cientistas, da fortuna dos que falam o suficiente, apontando a verdade, o que lhes dá a autoridade dos especialistas. A palavra de filósofos e cientistas, para os não iniciados, é como que outro idioma, em que o excesso de jargões técnicos, expressões habituais, decodifica os respectivos problemas da realidade. Filósofos e cientistas falam muito, são do reino humano, aqueles que mais fazem uso da palavra. Feliz daquele que com pouca palavra, diz muito, é a tal arte da precisão, do laconismo, bem mais presente no universo mágico da arte e do misticismo, portanto, no âmbito do sagrado, que todo o arranjo disjuntivo do pensamento, que para se fazer entender, precisa de extensos parágrafos, hipóteses, teorias, fórmulas, precedidas por tantas outras equações.
Onde o pensamento não consegue mais identificar, nem mesmo imprimir o reinado de sua lógica, é que se dá o acontecimento da arte e da poesia, onde a palavra, sacrificada pela cotidianidade dos chavões científicos e filosóficos, é re-intencionada, re-adquire seu sentido original, com efeito, só as experiências poéticas dizem da realidade, a realidade propriamente.
Para os mais românticos como eu e Octavio Paz, graças à poesia, a linguagem recuperaria seu estado original. Compreendo que os signos, as palavras, têm anterioridade e existência própria, não estando presas aos homens numa relação de subserviência, mas os homens, presos às palavras mensurando objetivamente a Terra, correm o risco de tão somente transmiti-las, comunicá-las, portanto, enfraquecendo a potencialidade de cada uma. Contra este risco, o poeta é solicitado. Guardião do segredo sabe que lá onde o homem se acotovela para calcular os fenômenos da Terra, onde o pensamento se esforça mais soberano, lá mesmo surgem as dúvidas, as incertezas, novamente em silêncio é que vem o poeta, este protetor do inefável, daquilo que não pode ser dito, junto deste, nos vem à porta, Fernando Pessoa, em délfica inscrição: “Cega, a Ciência a inútil gleba lavra. Louca, a Fé vive o sonho do seu culto. Um novo deus é só uma palavra. Não procures nem creias: Tudo é oculto.”
O que diferencia o poeta, do cientista e do filósofo, é que, diferentemente dos dois últimos, que são partícipes do momento em que o pensamento se distancia do mundo, porque conceitua seus respectivos fenômenos, o poeta tem o poder mágico de se tornar aquilo de que fala, de modo que, seus olhos não vêem a estranheza do objeto, mas vê na coisa, um ponto de encontro consigo mesmo. Do maldito francês Tristan Corbiére, vem a comprovação: “ – Um sapo! – Por que esse pavor, perto do teu fiel soldado? Ei-lo é um poeta tosquiado, Um rouxinol da lama... – Horror!/ - Horror por que? Olha-o; escondeu/ em sua toca o olhar ardente/ e foi-se: frio, indiferente. Boa noite: - Esse sapo sou eu.” Se Corbiére é o sapo, todo poeta sustém no olhar, o excesso dos paradoxos, a condição do ser humano que vive à flor da pele os ditames desse jogo entre vida e morte, luz e sombra, tempo e eternidade.
- Deixai de lado os sapos de Corbiére, prefira os grilos metafísicos de William Blake, diz-me em silêncio minha consciência: “Num grão de areia ver um mundo/ Na flor silvestre a celeste amplidão/ Segura o infinito em sua mão/ E a eternidade num segundo.”.
Assemelhando-se ao criador, em todo e em nenhum lugar, o poeta cria com suas mãos, labora seu engenho, anulando a distância com o objeto pretendido, saltando o intervalo entre o corpo e a natureza, o real e o imaginário. “Converte-te no bambu que desejas pintar”, eis o conselho de um mestre-zen a um jovem artista.
Um dia o poeta romântico inglês Coleridge, dormitou logo após uma dose de ópio, antecedida por uma leitura ocasional sobre o imperador mongol Kubla Khan e seu palácio Xanadu. Durante o sonho, o poeta visualizou obnubilado, o palácio, o que lhe custou logo após o cochilo, um dos poemas mais importantes desse período: “Em Xanadu mandou Kubla Khan construir, uma importante mansão para o prazer, Ali onde o Alfa corria, o rio sagrado, Por cavernas de tamanho desmedido.”
(o grifo é meu) Em seu silêncio crepuscular, o que faz com que os poetas digam muito com poucas palavras, Jorge Luis Borges em sua obra: Outras Inquisições, imaginava que a alma de Kubla Khan teria se unido à alma de Coleridge, ocasionando o poema, o devaneio.
Nesta vida, em que nem sequer pedimos para nascer, enquanto outros, nem nascem para viver, cada poeta se esforça para dizer o que deve ser dito, logrando o êxito da precisão. Neste lusco-fusco em que mal se vê as coisas ao derredor, só nos resta a poesia, entretanto, longe de buscar as mãos assoberbadas dos que curam, prefiro o silêncio dos que dizem muito, ou quase nada. Com Huidobro encerro aquilo que minhas palavras não puderam expressar, o receio de falar muito e não dizer nada, tão comum na arte de pretensos filósofos e na fuga de falsos cientistas : “Por que cantais a rosa, ó Poetas? Fazei-a florescer no poema; /Somente para nós/Vivem todas as coisas debaixo do Sol. /O poeta é um pequeno Deus.”.


* Professor de Filosofia da Faculdade de Educação Teológica do Maranhão – FETMA.

sábado, 29 de agosto de 2009

METALINGUAGEM




MONSTRUS VINGATIVUS




" Jacarés habitavam
Calçadas
Ventos de espinho
Refrescavam meu nexo
Vampiros
Perseguiam
Minha língua
Bafada"
..................... (Pedro Candela)

Caiu-me nas mãos um livro de poesias, de onde "extraí" os versos acima. Achei a ocasião propícia, para chamar-lhes à reflexão.
Será que há alguém que aguenta ler poesia assim?
O autor não fala nada sobre nada, não descreve fatos, não elabora cenas e não convence. Só fica falando de uma bobeira imensa; de uma metáfora doentia, fazendo péssimos poemas concretos e bancando o sabe tudo. Essa é minha opinião de leitor, como escritor quero esclarecer que concordo completamente.

Não posso negar que está sendo difícil conduzir este blog ao nível da consciência, ainda mais quando percebo que, aos poucos me torno cansativo e repetitivo. Contraditório também, (garanto que vocês pensaram que eu não percebia), mas por que o faço assim, se um dia disseram que sou poeta e que tenho em mim o poder das idéias novas e geniais?

Por que me disseram isso?
O que diriam agora, se eu mudar o estilo? Então, já na próxima postagem, não encontrarão mais os leitores, o poeta perdido que aqui se encontra. Escreverei, mais ou menos assim:

Brilha a lua lá no céu,
Redonda como um facão.
O dia em que não te vejo,
Não ponho feijão no fogo...


Que tal?
Faremos um trato:
As postagens boas a gente lê;
As postagens ruins a gente não lê.
Podem ainda, vingarem-se de mim, não postando comentários. Só que aí, estarão alimentando o maior e mais trrível monstro já surgido sobre a face da terra (pior que os monstros de filme japonês): O monstrus vingativus branco-(1981). O Vingá (modo carinhoso de chamá-lo).

Se realmente, eu quiser fazer jus às suas presenças nesse blog, devo tratar de esquecer todas as angústias pessoais, e procurar as suas angústias. ignorar as minhas alegrias, e estimular as suas; defenestrar os meus desejos e satisfazer os seus.

Aproveito a parada para reafirmar que não sou poeta formado e que meu tempo disponível se divide em buscas de perfeições e de saídas, entendendo-se, no caso, as saídas como fugas. Não sei se estou certo, mas escrevo assim mesmo, talvez apenas para manter vivo meu desejo de eternidade. Eternidade esta, não egoista, muito pelo contrário, eternidade universal é o que procuro numa interminável situação paradoxal de apreço por coisas eternas, e ao mesmo tempo, pelas mutáveis. Não é muito fácil, é bem verdade, conceber o eterno mutável. Como também não deve ser muito fácil aturar um poeta que se aproveita do concretismo de um poema para não dizer absolutamente nada e disfarçar sua falta de imaginação.

Se eu fosse um Deus, um profeta, um mestre, diria em voz alte e em bom tom:
"Nunca ajude um poeta que se diz agonizando sem inspiração, porque ele está mentindo. Falta-lhe esforço. Nunca ajude um que se diz agonizando sem imaginação porque este, nunca terá sido poeta. Falta-lhe sentido".
Como não sou nada daquilo, me calo. E deixo cada um viver à sua maneira.

Resumo:
a) Inspiração: Não existe;
b) Imaginação: existe, e é dádiva.


Obs. Comentem! ou se explicarão com o Vingá. (rsrs)


T@CITO/XANADU

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

POETICAMENTE

Entender a fala
A fala nasce e mostra a face
Joga, busca e oferece
Disputa entre visão e distância
A fala o sentimento abala
E faz mentira. Mente e se retira
Lançando o que a poesia cria
Ao vento comovido.
Na forma longa se escreve
A forma elíptica a breve
Como se atira bolas de neve
Ao muro
Ao coração
À mente.
Será a sombra prolongando
O amor de sangue
E marcas que lhe oferto
O amor, como o tenho
Está no poder dos magos
Nos sonhos dos amantes
Nas mãos das crianças
Mas, não, não consigo!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

S O N H A R

É bom que cada dia
Chegue ao fim.
E que haja um novo dia
no horizonte.

Assim viverão
todas as noites
do sabor das auroras
advindas.

por isso é que se dorme.
Por isso é que se sonha.
Para inventar o amanhecer.


T@CITO/XANADU

terça-feira, 25 de agosto de 2009

SOMBRAS TACITURNAS





Circunscrição : 7 - Taguatinga -DF
Processo : 2005.07.1.000108-5
Vara 11 - TRIBUNAL DO JURI DE TAGUATINGA - DF

Vistos...

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS, por seu orgão de atuação, narra que "No dia 29 de Dezembro de 2004, por volta das 17h30min, (endereço), o denunciado, estando na direção do veículo (descrito), em estado de embriaguez, fazendo manobras perigosas conhecidas como "cavalo de Pau" e/ou "zerinho", ademais trafegando na contra-mão de direção em alta velocidade assumiu o risco de matar, o que efetivamente ocorreu quando atropelou a pessoa de Maria Lúcia Evangelista, causando-lhe as lesões descritas no laudo cadavérico de fls 61/66, que foram causa eficiente de sua morte. apurou-se que o denunciado conduzia o veículo (descrito) e fazia manobras perigosas com o mesmo, além de trafegar na contra-mão de direção em alta velocidade, estando sob o efeito de bebida alcóolica...


I
Desde então, lembro de você
Como uma confusão de imagens
Que alimenta a minha solidão.
Te escrevo
Palavra e mulher
querendo tua presença
somando meus espaços noturnos
Te deixarei a herança
Do meu tímido silêncio
Guardada num cofre de vidro.
Frágil, me quebro na emoção
De tuas lembranças
Enquanto me guardo,
Kami-Kase, no salto
Do meu próprio abismo.
Ainda nos unimos separadamente
Unos que somos em nossos corpos
Te recrio, me duplico,
me revejo e antevejo
O gôzo, o pleno, o belo
Nossa comunhão interna,
Eterna e fugaz

II
Perdi, por mãos cruéis do meu destino
Minha estrêla feliz, meu puro enlêvo!
Penso que a Deus muito devo.
Para me castigar assim, fundo e fino...

Era tudo que tinha. Como menino
a quem se tira o único brinquedo
a poder de vinganças e de mêdo
Fizeram-me outra vez pequenino.

Era meu céu, meu firmamento
agora, nem lhe falar eu tento
vou vivendo esse pesadelo.

Creio que o bem e o mal que fiz na vida
irá servir de ponto de partida
Para reaver o meu sonho ou perdê-lo...

III
Aos meus filhos não nascidos, o legado
Que lhes deixo é não vir,
vencer a dor, e o castigo, ficando
Para o de lívidos,
Sórdidos,
Tórpidos,
Infames,
E até doces
Declínios...
Não cometi delitos
E pagarei estóico o crime de outro.

Contente por saber que
Contra a dor ergui-me firme
Sem ferir ninguém,
Apesar do ódio sobrevivi...

O que seria se pudesse
amá-la agora?
A tristeza que senti, decerto
Iria embora...

Deixe que eu fique triste
E que tu ausente
seja meu sonho que me foi tirado
E que uma nuvem de mágoa em meu mundo
Chova seu toró desesperado.


Continuas impune homenzinho!
Pior para ti, pois acabaste com a vida antes de morrer.
E assim, já não podes morrer descerás vivo ao inferno.

T@CITO/XANADU

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

S A C O !




Há a opção de sair de casa
Mas já perdi o jeito
Não tenho o dom da boemia
Há o livro de cabeceira
Porém, o texto me recusa.

Há a maquininha de fazer doido
Resumos cotidianos e contemporâneos
Terremotos, epidemias, enchentes
Gente sem casa, casa sem gente
Humilhação e desespero doído.

Estamos quase em Setembro
A primavera será em breve
Já sinto a vida em festa
Da ultima ainda me lembro
Cores e perfumes, ainda nos resta.

Agarro-me ao invisível
Mas vou indo de encontro ao inexorável
Sem saber porque, emudecido.
Ensejo de felicidade
Num mundo despresível.


T@CITO/XANADU

domingo, 23 de agosto de 2009

PROJETO DE VIDA


Se possível fosse
Não duvide
Mergulharia já
Dentro e fundo em você.

Tocaria sua vida
Com a ponta dos dedos
Da minha própria vida
Dedilhando prazeres.

Abriria portas e janelas
Que entrassem
Teus raios de sol
E seu calor benfazejo.

Sorveria o teu suspiro
Como se sorvendo
O resultado final,
Meu ideal de vida: VOCÊ!



sábado, 22 de agosto de 2009

É B R I O




Qual o que por curiosidade
Decifrará esse poema
Que escrevi
Por linhas travessas?

Qual o que, desarvorado
Se embriagará do meu vinho
Feito um poeta de Tasca,
De amor muito penado?

Qual o que arrependido
Erguerá o cristal
Em que baco bebeu as angustias,
e nunca recuperou o sentido?

Qual o que genuflexo
Se libertará dos complexos
Suicidando com alcool
De manhã até o por do sol?

Qual o músico que
Tocará a marcha fúnebre
No cortejo de um Bêbado
Achado morto em seu casebre?

Qual o que a horas mortas
Me abrirá todas as portas
E compartilhará comigo
O meu vício antigo?

Qual por fim
Se tornará Prometeu
Num holocausto infecundo
Que pela chuva nem vela ardeu?


sexta-feira, 21 de agosto de 2009

MALUCO BELEZA


Ele devia estar contente
Porque tinha um emprego
Era um dito cidadão respeitável
E ganhava quatro mil cruzeiros por mês...
Mas não estava, o maluco beleza estava sempre de passagem, foi de todos os músicos o que mais caminhos percorreu. E, perdeu-se mais nas encruzilhadas de si mesmo que em suas andanças pelo mundo.
Era um sonhador em busca da verdade; espero que lhe tenha sido revelada. O brilho daqueles olhos de viagem eram tão sagrados quanto os templos em que estivera.
O viajante jamais voltou, Não há caminhos quando se sabe que a verdade é interior. Para quem nasceu há dez mil anos atrás, acho que demorou muito para descobrir verdades até bem pequenas.
De qualquer forma, como o próprio dizia: Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...


RÉQUIEM AETERNA DONA EIS


T@CITO/XANADU

P A S S O U


Como pluma de sonho
Flutuava seu olhar
Gaze, alvura, veludo
Desejos contidos
Ilusões perdidas.

Prazeres longínquos
Atrás, noites e incoerências
Fragmentos de vida luminosa
Fortuito ensejo
Felicidade e desejo.

Pode parar, mas vai indo
Sem alternativa
Sabe porque, emudecida
A vida não tem mensagem
Anoitecendo, esperando.

Ouvirá apenas gemidos
Não os do prazer
Nem de alegria
Dor derramada lentamente
Gota a gota.

Em lençóis brancos
Etéreas nuvens
Nos separam, liberta
Solidão só minha
Consciência só tua.


T@CITO/XANADU

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

S E N T E N Ç A


Caminho devagar
Levo meu corpo onde vou
Pesado fardo ao sol
Silhuetas de sombras no pó.

Rápido procuro voltar
Espero as horas e os minutos
Trazerem a noite calma
E com ela o silêncio.

Na quietude as verdades
respiram com mais facilidade
De tanto ser, o tempo se oculta
Em ramagens de poemas.

Cantiga de anos intensos
A memória guarda
A solidão recorda
Nítidas lembranças.

Meus ouvidos se fecham
Posiciono-me na janela
Forjando asas
Para impossíveis vôos.

Tanta esperança
Na liberdade de um vôo
Para longe de tudo
Que leve também meu corpo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

I N T R O S P E C Ç Ã O




Ao ler esses versos
Você não viu em meus olhos
O indescritivel
O inenarrável.

Muito do que sentimos
Não descre(vemos)
Às vezes doce e suave
Às vezes perverso e mau.

Há sentimentos que
Não aceita rodeios
Deve exaurir por si
deve cumprir seu destino.

Como são eles?
Que cores tem?
Maltrata?
Faz pensar?

No viver com o sentir
Alterna alegrias e tristezas
Percebo então
Quão grandes eles são.

Quando penso fico só
À deriva da dor
Sou prisioneiro entendes?
Da saudade!


"Tudo que me dê pistas de mim me interessa."


terça-feira, 18 de agosto de 2009

T E M P O


Atente-se para o tempo
Ele traz em si a cura
Para os males da alma
Tantos e Tais
Presentes e passados.

A dor se desfaz
Sem sobressaltos
A alma se desmancha
Como fotos antigas
Não tem pressa as lembranças.

A memória guarda
A solidão recorda
O calendário é para lembrar
Que apenas existiu e,
Anotar meus passos e saudades.

Leva tempo, leva tempo
Mas há de passar
Não cobro, Não reclamo
Me ponho a tua mercê
Na saudade sou teu servo.

Pensei...
Queria pensar...
...Não devia.



segunda-feira, 17 de agosto de 2009

M A S M O R R A


Silêncio sobre Silêncio
Eis o que ouço dos dias.
Todos os sons se acumulam
Em mim para depois vibrar.

Sangra-me pela boca
O tempo que me foi
Tempo de retornar
Ciclo que se cumpre.

Inevitáveis tarefas humanas
Por insistência dos sonhos
Faço vibrar então, o som
De meus punhos cerrados.

De encontro às paredes
Sacudidas por soluços
A casa não cai
Alicerces de pedra.

Já nada oculto
Já nada ouço
Nem chuva, nem tempo
Nada se abate, nem eu!


T@CITO/XANADU

domingo, 16 de agosto de 2009

E S C R E V E N D O


Traços a lápis sobre o papel
Revelações da alma
Longos braços
Longas estradas.

Caminho intenso de tardes
Hora da voz que chega
Revelando o som verdadeiro
Oculto pela luz do dia.

Também ocultamos palavras
Para nada dizer
Escrevemos o que existe.
Leva o tempo e resiste!

Herança que não temos
Traços de ser só
Ser feliz
Ser feliz só.

Vejo nascerem
Noites ermas
Toca no cerne
De imensas tristezas.

Antigas terras
De antes de tudo
Tudo de hoje
Dia do meu tempo.

Assim escrevo
Escrevo sempre
Escrevo tudo o que faz reter
Em minha boca o grito!


"É missão de quem escreve apenas eternizar o que foi breve."


T@CITO/XANADU

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

ANTES DE PODER VOAR. . .

Crédito / Chagall


Para poder voar
Não basta ruflar as asas
Há que se amputar os pés
Feitos de chumbo.
*
Permitir a fuga do olhar
Para todos os espaços.
Aprender flanar
Em espirais de vento.
*
Superar o medo, a vertigem.
Não beijar a flor no asfalto
Quando tiveres a asa fendida,
Perdida?
*
Singrar os pélagos do ar...
Um vôo transparente
Com asas feitas
Do fluído sutil do respirar.
*
Crer que todos os vôos,
Serão de liberdade,
Desde que sonhos,
Desde que verdade!
*
Saia procurando Deus
pelas encostas
E dando voltas,
Busque.
*
Resida com ele,
Na fímbria de sua asa
Emparelhe com ele
Em seu vôo, partilhe!
*
Com seus olhos
Semeie horizontes
Despeje azul no infinito
Com as asas, trace mapas.
*
Encha o vácuo
Com o vento do seu grito.
Com as asas na mímica do vôo,
Assopre vendavais.
*
Viaje com o vento
Visite os silêncios
Semeie no vento
A seara dos vôos.
*
Se somos móveis
E voadores
Voemos e bebamos
As águas das estrelas.
*
Ao fim, como uma gaivota
Mergulhe no mar
E saia voando para o infinito
Para logo depois, tudo recomeçar...
*
Meu corpo agora
Só sabe o idioma
Das águas e do vento.
Brisa, recado meu pelos ares.
*
*
"O que era vôo, são lentos passos agora."
*
*
T@CITO/XANADU

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

APRENDER AMAR


Do amor que posso falar?
Não cumpri a parte
A mim devida:
Dar vôo ao beijo,
Como o vento
Que dá vida ao mar.

O que não fiz, não fiz
Está feito.
Agora é fazer melhor
Tecer o amor onde quero
Em fios de brisa e luar
Apenas sei-me vivo
É possível sonhar.

Aprendi na leveza do beijo
Levado aos lábios amados
Pela brisa primeira
Que amor é fascinação
É mola que impulsiona
Ladeira abaixo
A emoção até o coração.

Aprendi nos olhos que partem:
Arrepender tempo perdido,
Lamentar Manhãs
Levadas pelo tempo.
Limitar-me em você
E não me querer mais assim.

É urgente Aprender
A deixar-me notar,
Percorrer os caminhos
Em campos abertos de mim.
Deixar minha paixão
Crescer em asas
- Preciso voar.

"Até que se descore todas as mágoas."

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

INDI(A)GESTÃO

Um dos muitos cadáveres que boiam diáriamente no rio Ganges
Foto / Internet

Navegando pela internet, fui dar com os costados num blog muito interessante sobre a Índia.

http://indiagestao.blogspot.com/, recomendo uma visitinha a todos que acham que o nosso Brasil não tem jeito. Este blog foi criado por uma geógrafa e psicanalista que viveu por lá, ela nos mostra uma visão bem imparcial da realidade indiana. Recomendo em especial a matéria sobre a rainha dos bandidos e o vídeo que mostra um dentista indiano "clinicando".

T@CITO/XANADU

terça-feira, 11 de agosto de 2009

E L U C I D A Ç Ã O


Alguns tem borboletas
No estômago
Tenho guarda-chuvas.

Leio sânscrito
Faço-me
Entender:

Bêbados inveterados
Suicidas inconsolados
Medos obsoletos
A solidão dos sonetos.

Os esgotos e seus ratos
Os eternos anônimos
Os entardeceres de Agosto
Os humildes até dizer chega!

O porquê desse silêncio todo
De coisa nenhuma
Depois de tudo, enfim,
o porque de mim.

respondam:
Se as galinhas voassem meio metro acima, seriam elas chamadas de pássaros?



segunda-feira, 10 de agosto de 2009

P A R T I N D O


Ninguém chora mais que eu?
É difícil desacostumar o
coração de paisagens
cinzentas.

Ninguém chora mais baixo que eu?
Mesmo que acenem
ao longe os
horizontes,
eu não posso saber
se é
hora de ir.

E mesmo sendo,
ainda é difícil.

Quando as lágrimas já
se tornaram nos olhos
o único brilho.
O mundo só tem
uma cor apenas.

Se for hora de partir
e eu for
acharei o caminho de volta?

Nada existe que possa
me deter,
e nenhum caminho
é o de voltar.
para que voltar?
Irei...
*
*

domingo, 9 de agosto de 2009

AO MEU PAI


Hoje... Depois dos sonhos,
acordo e olho você,
com ternura, com amor.
Penso em tudo, recordo de tudo
e você...
Carinhosamente me sorri!
Assim, renasço para o amor a cada nova manhã
e sinto como que você sempre esteve aquí ao meu lado
sem o saber, sem o sonhar.
PARABÉNS !

Paulo Tácito

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

F O R M A S


O verso livre é conquistado para a poesia.
Também os temas novos interessam à poesia. E que mais? Lembramos que na Europa, lá pelos idos de 1920, Jakob van Hoddis, Arthur Drey, Kasimir Edschmid e tantos outros eram expressionistas. Apollinaire, Paul Dermée, os autores que publicavam na revista L´Espirit Nouveau eram cubistas, como o chileno Vicent Huidobro. Francis Picabia, André Breton, Paul Eluard, Louis Aragon, Tristan Tzara eram dadaístas. Tristan Tzara havia feito uma "receita" de poema dadaísta:

Pegue um jornal.
Pegue uma tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço, um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.

Recorte, colagem, nonsense, escrita automática, enumeração caótica, são ingredientes da nova forma poética proposta na Europa. No Brasil, o movimento contrário à retórica vigente até então leva à oralidade na sintaxe, a uma colocação pronominal mais condizente com a fala, à fluência da linguagem e às frases curtas. Na poesia aparecem os temas modernistas e é usado o verso livre.


Fonte: Natalika - Guilherme de Almeida

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

VIOLEIROS DO BRASIL

M O D A


Ouça moda de viola
E relembre
E chore
E beba
E caia
Do sexto andar
Do foguete
Do delírio
Do galope
Can
Ta
a
Vi
o
La
Chora
Sonora
Escorre - Lenta - Tristeza
Dedilho
Cordas
Vocais
Ouça meu canto
Estribilho - Refrão
Ouça moda de viola
Desafina coração

T@CITO/XANADU

TE PROMETO AMANHÃ


Amanhã será como amanhã

Que será como hoje

Que será como ontem

Amanhã Pensar

Destino

Amanhã um dia a menos

Ontem, um dia a mais

Hoje, uma reflexão

Um dia desalento

Outro abrigo

Outro calor

Como será o amanhã?

Amanhã será somente Futuro.


T@CITO/XANADU

ANTIGAS ANTÍFONAS


Nada de novo!
Tudo calmo no front.
Todos imunes
Todos impunes
Bobeira do povo.

Tenros, ternos, calvos.
Calmos colarinhos alvos
Em vigilia
Vigia-lhes
O Vigílio.

Bandeira não porto
Atos com porta
Fecho, despacho.
Não comporta
Sou porta.

Himenóptero bêbado,*
Quebra a dentadura
Mas, não larga a rapadura
Exóticos insetos
Estranhos decretos.

Não sou nortista
Nem repentista
Sou do Centro-Oeste
Mas, morro pelo caminho
Da mesma peste.

*Marimbondo de fogo

"Poemar meu povo é como coçar as feridas de um cão Sarnento"


T@CITO/XANADU

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

FANTÁSTICA REALIDADE


Queridos e queridas!

Companheiros e companheiras!

Foi legal brincar de contar estorinhas para vocês. A fantasia que me fascina, e que divido com todos, nada mais é que grandes medos correndo no dia a dia em que sobrevivemos, e grandes tristezas multiplicando e distribuindo seus pedaços. As angústias deixam um peso, pela grandeza da realidade de todos nós, individualizados por esses medos e essas tristezas.
Fico consciente de mim caminha