
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
O ÓBVIO DA REPRESENTAÇÃO

domingo, 29 de novembro de 2009
ESPANTALHO

sexta-feira, 27 de novembro de 2009
VÁRIO TEMPO

terça-feira, 24 de novembro de 2009
BLOGAGEM COLETIVA

Um conto de amor com cheiro de néctar da flor
Como seria o não haver,
A comunhão de nossas almas,
Os suspiros e olhares?
Seria, talvez, como a morte?
Ou, sorver pouco a pouco o amargor da inexistência?
Melhor seria, então, morrer de tanto sorver esse néctar tão doce e perigoso, que de tão parecido com o amor, até o é. E neste amar, invento o texto e o contexto no qual você, inteira, acabará por se formar.
Sinto seu cheiro como torpor a embriagar-me os sentidos, eu a quero minha e apaixonada, o frescor de seu aroma de flor a percorrer os atalhos da paixão. Ver correr e jorrar de ti, o néctar que busco como lenitivo balsâmico para minhas dores angustias e tristezas, como fonte de inspiração para doces momentos de encantamento e paixão.
Quero também tua essência, não te invento o gosto inesperado. Pois, de nada vale se recolhido em sua concha dócil, na qual me enlaço e me faço conhecedor das artimanhas do amor.
Teu amor me perturba um pouco. Denso ele ata invisíveis cadeias em meus pulsos. Mas, não fujo das armadilhas suaves que pressinto a cada passo, que não evito...
Teu amor amadureceu em mim na quinta estação e a terra toda, meu corpo, transpira em seu néctar, momentos que já são eternos. Como saber da tua essência, sem o roçar suave do meu rosto em sua vegetação rasteira?
Aqueço meus sentidos com quente e inebriante perfume, sinto sob a língua a sede ávida de água e mel dentro de ti submersos. Indecifráveis promessas, coisas tuas, só tuas.
Não me acostumei a teus segredos, nunca é igual o sabor da fruta escura do teu sexo.
Uma fúria infinita volta a mim e trucida este macho inconseqüente, que de tão inebriado e submisso, fez toda secura do deserto se manifestar e acabou com qualquer vestígio do néctar da tua flor.
Encantada, admirada, ficas a ver meu furtivo atrevimento, meu procedimento impetuoso. Gosto tanto que lhe espanto. E num relance, também tomas teu caminho, indo e vindo em suas próprias rotas. Mudando sempre, sumindo, indo e vindo...
Desnorteando ao redor, ou esperando a calmaria, livre, aberta, alerta. Do movimento, só o refinamento do espremer plácido do sumo que consomes em tuas entranhas. Abasteces-te, te completas de mim com meu mel, me liquidando, nos transmutando.
Então, derramas sobre o meu corpo o volume imenso do teu olhar. Depois, fecha os olhos, e como lendo em BRAILLE, me vê com seus toques; mãos, boca, saliva...
E não apenas com esses toques inunda-me novamente com sua inundação, com seu néctar, suco, água. E de seu olhar parado, dá para mim somente as lágrimas do seu desejo agora saciado.
O néctar que há em ti, diferente do que há na flor, guarda-se em frasco de pequeno tamanho e grande fragilidade, é o teu mel, o mel da mulher. Difícil de ver, entender, saborear...
Mas, quando visível, deixa terno o homem vidente. Evidente, deixa patente a fragilidade, a doçura da mulher que o contém.
Eu sei, eu vi, eu provei. E agora, minha alma aguarda o sofrer que faz retirar-me num retiro de deserto: Sem leite, sem mel, sem carinho durmo com gosto amargo, sonhando com o néctar que ainda não foi provado, saboreando o perfume e o gosto que me restou.
T@CITO/XANADU
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
VAMOS FALAR DE POETAS

Desde priscas eras, quando se fala em poetas, a imagem que vem à cabeça dos desavisados é aquela velha figura daquele indivíduo de longa cabeleira desgrenhada, e que vivia eternamente fora da realidade, sempre imaginando quimeras para colocar em suas poesias.
Sempre se imaginou que, para ser poeta, a pessoa teria ser um alienado, vivendo fora da realidade, pois afinal, poesia é fantasia, é utopia... Rimar, rima, mas não é totalmente verdade.
Os poetas, bem como músicos, pintores, contistas, são pessoas normais com as mesmas necessidades de todos, apenas com sua sensibilidade mais desenvolvida. E sempre com uma experiência de vida um pouco mais rica, o que permite melhor ir buscar suas fontes de inspiração. E desenvolver essa inspiração.
Para dizer a verdade, todos temos algo de poeta dentro de nós. Simplesmente alguns tem mais facilidade para soltar suas idéias. Não tem vergonha de expor sua alma, de mostrar ao vivo que tem um espírito romântico. O problema é realmente esse, ou seja, muitas pessoas não conseguem "soltar seu interior", pelo famoso medo do ridículo, por não terem confiança naquilo que escrevem. E talentos são desperdiçados.
Os poetas trazem dentro de si uma vivência muito grande, pois revelam seu interior através de suas poesias. Já um certo Sigmund Freud (tinha que ser ele para explicar isso), nos deixou uma frase lapidar a esse respeito, vejam:
Seja qual for o caminho que eu escolher... um poeta já passou por ele antes de mim... Sigmund Freud
Com isso, nosso amiguinho quis dizer que um poeta, para ser poeta tem que viver bem intensamente a vida... passar por todas as experiências (ou quase todas), porque deve ter um espirito acima de tudo capaz de perceber as sutilezas da alma humana, e colocar para fora toda a sensibilidade de sua alma e isso não é muito fácil para quem não viveu, e não soube extrair da vida as lições que ela nos deixa.
Através da poesia, o poeta mostra sua alma, conta sua história, realiza suas fantasias, suas quimeras. Há que se saber ler uma poesia, é necessário "ler" as entrelinhas, sentir as sutilezas da "alma poetal".
Muitas vezes é através das poesias que o poeta expressa desejos não realizados, ou conta episódios vividos, deixando sempre para quem o lê a interpretação que cada qual entenderá. Para alguns, é um felizardo que viveu todas as emoções descritas, para outros, um frustrado que não consegue realizar seus desejos e o faz através de seus escritos.
Esse é o grande encanto da poesia... deixar no espírito de quem lê essa grande dúvida... se ela representa apenas uma utopia, ou uma realidade.
Se o poeta é aquilo que ele escreve, ou escreve aquilo que deseja ser.
Se é realmente um romântico, ou se apenas escreve bem sobre romances.
Se realmente está apaixonado, ou se apenas é um "amante do amor", ou seja alguém que cultua o amor como o melhor sentimento que uma pessoa pode ter.
Sempre fica na imaginação o que realmente estará por trás do que é escrito.
Se aquele alguém a quem uma poesia parece ser dedicada é mesmo alguém de carne e osso, ou se apenas representa o desejo do poeta, em sua eterna busca da musa inspiradora.
Muitas vezes um poeta feliz e realizado na vida, poetiza sobre tristezas... Talvez sua alma seja triste. Talvez conte as tristezas de alguém, quem sabe?
A grande verdade é o romance da vida, que sempre nos traz episódios de alegria, de felicidade, de tristeza, de infelicidade, e a sensibilidade maior ou menor que tenhamos de contar esses episódios.
Poetar é um excelente exercício de memória e de imaginação, que todos devem experimentar. Mexe com os sentidos, e desperta sentimentos que muitos julgavam adormecidos.
E com esse espírito, que, poeticamente, desejo a todos UM LINDO DIA.
Marcial Salaverry
domingo, 22 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
PROCURANDO

terça-feira, 17 de novembro de 2009
O P Á S S A R O

segunda-feira, 16 de novembro de 2009
CORACIONAL

RECADO DO VENTO

domingo, 15 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
FALAS DE JARDINEIRO

quinta-feira, 12 de novembro de 2009
LUZ ACESA
O coração faz que dorme
O escuro sabe segredos.
O néctar amargo dos medos
Nutriz das horas solitárias
tece o enredo
Para a noite prima-dona.
É o tempo, rota de vôos
Para viajar a tristeza.
Onde vai o escuro do instante?
A alvorada descerra nas
águas do dia.
Os patuás da mandinga...
E ser nada.
Quando percorro meus porões
Ainda encontro a dor,
Acordada no breu,
Petrificada.
A boca da noite
Sussurra insônia sem fim
Para que luz, se durmo
de olhos fechados?
Eu até me esforço,
Mas,
Por mais que eu abra os olhos
E brilhe a luz,
Anoitece.
(Deixa pois, a luz acesa!)
T@CITO/XANADU
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
OLHOS FECHADOS

segunda-feira, 9 de novembro de 2009
EU PROVEI

domingo, 8 de novembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
SONS NOTURNOS

quarta-feira, 4 de novembro de 2009
UM DIA APÓS O OUTRO

terça-feira, 3 de novembro de 2009
S E L O

segunda-feira, 2 de novembro de 2009
AMANHECENDO

domingo, 1 de novembro de 2009
D O M I N G O

sexta-feira, 30 de outubro de 2009
PINTANDO DÚVIDAS

quarta-feira, 28 de outubro de 2009
DE NOVO A ESPERANÇA

terça-feira, 27 de outubro de 2009
TUDO ILUSÃO . . .

segunda-feira, 26 de outubro de 2009
A L M A

domingo, 25 de outubro de 2009
sábado, 24 de outubro de 2009
NAVEGAR A NOITE

quinta-feira, 22 de outubro de 2009
CONFRONTO NA CAMA

quarta-feira, 21 de outubro de 2009
INFORTÚNIOS DE POETA

segunda-feira, 19 de outubro de 2009
OS OLHOS

domingo, 18 de outubro de 2009
sábado, 17 de outubro de 2009
GONE TOO SOON
Esta música é um tributo a Michael Jackson, e ao tentar traduzi-la, fiquei um tanto surpreso e emocionado ao ver que ela explica uma vida.
Em nossas vidas sempre há alguém que foi embora muito cedo...
Na minha também há...
A tradução vai abaixo:
"Acabou tão rápido...."
Como um cometa
Cruzando o céu ao anoitecer
Acabou tão rápido...
Como um arco-íris
Sumindo em um piscar de olhos
Acabou tão rápido...
Brilhante, cintilante
E esplendorosamente radiante
Aqui, um dia
Tornou-se em noite
Como a falta da luz do sol
Em uma tarde nublada
Acabou tão rápido...
Como um castelo
Construído na areia da praia
Acabou tão rápido...
Como uma flor perfeita
Que está fora do seu alcance
Acabou tão rápido...
Nascido para alegrar, inspirar, encantar
Aqui um dia
Tornou-se em noite
Como um pôr do sol
Morrendo com o nascer da lua
Acabou tão rápido...
Acabou tão rápido...
T@CITO/XANADU
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
NO MAR

quinta-feira, 15 de outubro de 2009
S E L O

Mais um selinho, gentileza do Blog da Almerinda Martins. http://almerindamartins.blogspot.com/Deveria repassar a outros 10 Blogs
mas tomo a liberdade de colocar a disposição de todos os amigos que o queira.
PAIXÃO E LUZ

quarta-feira, 14 de outubro de 2009
DA FINALIDADE DO SOM

terça-feira, 13 de outubro de 2009
CONTRADITÓRIO

Hoje não quero
um poema
trans bor dado
de palavras...
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
SALADA MISTA
- É esse ?

De pura, vos é pena pressentirDois corpos confundir
Que se apertam, se esmagam,
que se abraçam.
(Uva: Um grande abraço)

Muito doce o Amor
Da primeira vista.
Os carinhos, beijos,
a doce conquista.
Muito doce o amor
Dos primeiros anos.
Depois vem os erros,
Vem os desenganos.
Doce, doce, doce:
O doce cativo
Cárcere de açucar,
doce enjoativo.
(Maçã: Um beijo no rosto)

Falo da tua fome
Falo na boca.
Palavras não existem
Com o mar na garganta.
E levo este sal
Entre o arado dos dentes
para o vão de tuas virilhas:
Cicatriz azul
Manchando os lábios vermelhos.
(Salada mista: Beijo na boca)
domingo, 11 de outubro de 2009
H U M O R

" A linguagem serve para
comunicar. Mas comunicar,
para os humanos, não é
somente transmitir informações.
frequentemente, fala-se para
não dizer nada, ou diz-se o
contrário do que se quer
realmente dizer, ou ainda o que
o interlocutor já sabe."
Marina Yaguello - (lingüista francesa)
BOM DOMINGO A TODOS !
sábado, 10 de outubro de 2009
S O N H O S

sexta-feira, 9 de outubro de 2009
3 000 VISITAS
Quem acompanhou o blog até aqui, entenda que a morte, (a não vida) frequentou meus poemas,(há quem os ache tétricos), mesmo que as pessoas não tenham por ela, uma fixação genética, é como o medo que as mulheres tem das baratas, a morte me fascina, com um leve sabor de missão cumprida. missão repartida aos poucos, diferente a cada instante, dolorosa a cada guinada, deliciosa a cada começar.
Por que não fascina a todos a morte? Será pelo envelhecer ou será pelo penar? Pelo desconhecido ou por apego à efemeridade terrena?. Quando me aproximo da resposta meu coração me ignora, deve ser pela idade que ele tem por fora.
Quando me encontro sombrio, meu coração não se encontra dentro de mim, e vejo a algazarra que ele apronta. E quando percebo que a vida não é mais forte que a morte, me desmancho em poesia. Num instante, num momento transformo tudo em poesia. porque num instante, num momento só, tudo se move. De um instante para outro instante, morreu José, nasceu Joana, Pedro matou, Isabel continua sua vida. Num pequeno momento a história do mundo se faz, nos atos e no mundo.
Neste jeito, contudo, sub-humano de quem se deixa matar, vou matando as possibilidades de morrer...
T@CITO/XANADU

quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Á R V O R E

terça-feira, 6 de outubro de 2009
A VIDA ESSE MUSICAL

segunda-feira, 5 de outubro de 2009
CARTÃO - POSTAL
domingo, 4 de outubro de 2009
BEM - DITA - SOIS - VÓS

sábado, 3 de outubro de 2009
P Ã O - E - C I R C O
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
BOLHAS DE SABÃO

quinta-feira, 1 de outubro de 2009
( A S ) P I R A Ç Ã O

terça-feira, 29 de setembro de 2009
T R E V A S

segunda-feira, 28 de setembro de 2009
HORA OCA

domingo, 27 de setembro de 2009
Q U A N D O ?

quinta-feira, 24 de setembro de 2009
I N E X O R Á V E L

quarta-feira, 23 de setembro de 2009
V I G Í L I A

segunda-feira, 21 de setembro de 2009
P R É - J U Í Z O

domingo, 20 de setembro de 2009
P O E M E U

Poemas
Campo restrito:
Papel e lápis
ocultam o adversário
que dentro se trama
e então percorro
estreitos caminhos
delicadas fibras
lágrimas insuspeitas
se rompem às vezes.
Pratico poemas
ao som de vozes
passos na sala
em ruas
ao sol
Cada poro
de alma
se dilata
e luz revela
o poema - presa exausta.
Limpo-o então
do suor da luta
cerro-lhe as lâminas
da fuga.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
29 DE DEZEMBRO

quarta-feira, 16 de setembro de 2009
S Á D I C A

segunda-feira, 14 de setembro de 2009
EU AGUENTO !

domingo, 13 de setembro de 2009
ADORAdor

quinta-feira, 10 de setembro de 2009
B O R B O L E T A S

terça-feira, 8 de setembro de 2009
CANTANDO BLUES

segunda-feira, 7 de setembro de 2009
BRASIL

domingo, 6 de setembro de 2009
DEPOIS DE TANTO AMOR...

Dissolvem sem ser canção.
Sono morno e quieto
O abraço do cansaço
Um poema de sossego.
Pela janela aberta
Misteriosa escuridão...
Há música no fundo
Camuflada nostalgia
Palavras, murmúrios, segrêdos
Memória de era intemporal
Magia da lembrança
Nesga de tempo...
Mente em tentativa de mergulho
Impossível, mais leve que o ar.
Durmo meu sono letárgico
Posso acordar e não ser amanhã
Ser ontem ou futuro distante.
Não quero ir
Preciso ficar
Não pára aqui, o amor não termina
Apenas o velho relógio
Avisa que é madrugada.
(Verbo é ser...é silêncio!)
T@CITO/XANADU
sábado, 5 de setembro de 2009
E POR FALAR EM SAUDADE...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009
S A N I D A D E

quinta-feira, 3 de setembro de 2009
NATUREZA MORTA

quarta-feira, 2 de setembro de 2009
SIGO SÓ

segunda-feira, 31 de agosto de 2009
A PALAVRA DA POESIA

Com o passar dos anos, a filosofia e a ciência parecem envaidecer aqueles espíritos, os mais arrogantes, dando a impressão que muitos dos problemas desta vida, são passíveis de resoluções, basta um olhar objetivo sobre o drama. Não que à filosofia, bem como à ciência, se assemelhe à arte da taumaturgia, não lhes cabe o poder da cura, tão cara aos místicos e curandeiros, mas a parcimônia das análises, os experimentos, parece dotar a ambos, filósofos e cientistas, da fortuna dos que falam o suficiente, apontando a verdade, o que lhes dá a autoridade dos especialistas. A palavra de filósofos e cientistas, para os não iniciados, é como que outro idioma, em que o excesso de jargões técnicos, expressões habituais, decodifica os respectivos problemas da realidade. Filósofos e cientistas falam muito, são do reino humano, aqueles que mais fazem uso da palavra. Feliz daquele que com pouca palavra, diz muito, é a tal arte da precisão, do laconismo, bem mais presente no universo mágico da arte e do misticismo, portanto, no âmbito do sagrado, que todo o arranjo disjuntivo do pensamento, que para se fazer entender, precisa de extensos parágrafos, hipóteses, teorias, fórmulas, precedidas por tantas outras equações.
Onde o pensamento não consegue mais identificar, nem mesmo imprimir o reinado de sua lógica, é que se dá o acontecimento da arte e da poesia, onde a palavra, sacrificada pela cotidianidade dos chavões científicos e filosóficos, é re-intencionada, re-adquire seu sentido original, com efeito, só as experiências poéticas dizem da realidade, a realidade propriamente.
Para os mais românticos como eu e Octavio Paz, graças à poesia, a linguagem recuperaria seu estado original. Compreendo que os signos, as palavras, têm anterioridade e existência própria, não estando presas aos homens numa relação de subserviência, mas os homens, presos às palavras mensurando objetivamente a Terra, correm o risco de tão somente transmiti-las, comunicá-las, portanto, enfraquecendo a potencialidade de cada uma. Contra este risco, o poeta é solicitado. Guardião do segredo sabe que lá onde o homem se acotovela para calcular os fenômenos da Terra, onde o pensamento se esforça mais soberano, lá mesmo surgem as dúvidas, as incertezas, novamente em silêncio é que vem o poeta, este protetor do inefável, daquilo que não pode ser dito, junto deste, nos vem à porta, Fernando Pessoa, em délfica inscrição: “Cega, a Ciência a inútil gleba lavra. Louca, a Fé vive o sonho do seu culto. Um novo deus é só uma palavra. Não procures nem creias: Tudo é oculto.”
O que diferencia o poeta, do cientista e do filósofo, é que, diferentemente dos dois últimos, que são partícipes do momento em que o pensamento se distancia do mundo, porque conceitua seus respectivos fenômenos, o poeta tem o poder mágico de se tornar aquilo de que fala, de modo que, seus olhos não vêem a estranheza do objeto, mas vê na coisa, um ponto de encontro consigo mesmo. Do maldito francês Tristan Corbiére, vem a comprovação: “ – Um sapo! – Por que esse pavor, perto do teu fiel soldado? Ei-lo é um poeta tosquiado, Um rouxinol da lama... – Horror!/ - Horror por que? Olha-o; escondeu/ em sua toca o olhar ardente/ e foi-se: frio, indiferente. Boa noite: - Esse sapo sou eu.” Se Corbiére é o sapo, todo poeta sustém no olhar, o excesso dos paradoxos, a condição do ser humano que vive à flor da pele os ditames desse jogo entre vida e morte, luz e sombra, tempo e eternidade.
- Deixai de lado os sapos de Corbiére, prefira os grilos metafísicos de William Blake, diz-me em silêncio minha consciência: “Num grão de areia ver um mundo/ Na flor silvestre a celeste amplidão/ Segura o infinito em sua mão/ E a eternidade num segundo.”.
Assemelhando-se ao criador, em todo e em nenhum lugar, o poeta cria com suas mãos, labora seu engenho, anulando a distância com o objeto pretendido, saltando o intervalo entre o corpo e a natureza, o real e o imaginário. “Converte-te no bambu que desejas pintar”, eis o conselho de um mestre-zen a um jovem artista.
Um dia o poeta romântico inglês Coleridge, dormitou logo após uma dose de ópio, antecedida por uma leitura ocasional sobre o imperador mongol Kubla Khan e seu palácio Xanadu. Durante o sonho, o poeta visualizou obnubilado, o palácio, o que lhe custou logo após o cochilo, um dos poemas mais importantes desse período: “Em Xanadu mandou Kubla Khan construir, uma importante mansão para o prazer, Ali onde o Alfa corria, o rio sagrado, Por cavernas de tamanho desmedido.” (o grifo é meu) Em seu silêncio crepuscular, o que faz com que os poetas digam muito com poucas palavras, Jorge Luis Borges em sua obra: Outras Inquisições, imaginava que a alma de Kubla Khan teria se unido à alma de Coleridge, ocasionando o poema, o devaneio.
Nesta vida, em que nem sequer pedimos para nascer, enquanto outros, nem nascem para viver, cada poeta se esforça para dizer o que deve ser dito, logrando o êxito da precisão. Neste lusco-fusco em que mal se vê as coisas ao derredor, só nos resta a poesia, entretanto, longe de buscar as mãos assoberbadas dos que curam, prefiro o silêncio dos que dizem muito, ou quase nada. Com Huidobro encerro aquilo que minhas palavras não puderam expressar, o receio de falar muito e não dizer nada, tão comum na arte de pretensos filósofos e na fuga de falsos cientistas : “Por que cantais a rosa, ó Poetas? Fazei-a florescer no poema; /Somente para nós/Vivem todas as coisas debaixo do Sol. /O poeta é um pequeno Deus.”.
* Professor de Filosofia da Faculdade de Educação Teológica do Maranhão – FETMA.
sábado, 29 de agosto de 2009
METALINGUAGEM

" Jacarés habitavam
Calçadas
Ventos de espinho
Refrescavam meu nexo
Vampiros
Perseguiam
Minha língua
Bafada"
..................... (Pedro Candela)
Caiu-me nas mãos um livro de poesias, de onde "extraí" os versos acima. Achei a ocasião propícia, para chamar-lhes à reflexão.
Será que há alguém que aguenta ler poesia assim?
O autor não fala nada sobre nada, não descreve fatos, não elabora cenas e não convence. Só fica falando de uma bobeira imensa; de uma metáfora doentia, fazendo péssimos poemas concretos e bancando o sabe tudo. Essa é minha opinião de leitor, como escritor quero esclarecer que concordo completamente.
Não posso negar que está sendo difícil conduzir este blog ao nível da consciência, ainda mais quando percebo que, aos poucos me torno cansativo e repetitivo. Contraditório também, (garanto que vocês pensaram que eu não percebia), mas por que o faço assim, se um dia disseram que sou poeta e que tenho em mim o poder das idéias novas e geniais?
Por que me disseram isso?
O que diriam agora, se eu mudar o estilo? Então, já na próxima postagem, não encontrarão mais os leitores, o poeta perdido que aqui se encontra. Escreverei, mais ou menos assim:
Brilha a lua lá no céu,
Redonda como um facão.
O dia em que não te vejo,
Não ponho feijão no fogo...
Que tal?
Faremos um trato:
As postagens boas a gente lê;
As postagens ruins a gente não lê.
Podem ainda, vingarem-se de mim, não postando comentários. Só que aí, estarão alimentando o maior e mais trrível monstro já surgido sobre a face da terra (pior que os monstros de filme japonês): O monstrus vingativus branco-(1981). O Vingá (modo carinhoso de chamá-lo).
Se realmente, eu quiser fazer jus às suas presenças nesse blog, devo tratar de esquecer todas as angústias pessoais, e procurar as suas angústias. ignorar as minhas alegrias, e estimular as suas; defenestrar os meus desejos e satisfazer os seus.
Aproveito a parada para reafirmar que não sou poeta formado e que meu tempo disponível se divide em buscas de perfeições e de saídas, entendendo-se, no caso, as saídas como fugas. Não sei se estou certo, mas escrevo assim mesmo, talvez apenas para manter vivo meu desejo de eternidade. Eternidade esta, não egoista, muito pelo contrário, eternidade universal é o que procuro numa interminável situação paradoxal de apreço por coisas eternas, e ao mesmo tempo, pelas mutáveis. Não é muito fácil, é bem verdade, conceber o eterno mutável. Como também não deve ser muito fácil aturar um poeta que se aproveita do concretismo de um poema para não dizer absolutamente nada e disfarçar sua falta de imaginação.
Se eu fosse um Deus, um profeta, um mestre, diria em voz alte e em bom tom:
"Nunca ajude um poeta que se diz agonizando sem inspiração, porque ele está mentindo. Falta-lhe esforço. Nunca ajude um que se diz agonizando sem imaginação porque este, nunca terá sido poeta. Falta-lhe sentido".
Como não sou nada daquilo, me calo. E deixo cada um viver à sua maneira.
Resumo:
a) Inspiração: Não existe;
b) Imaginação: existe, e é dádiva.
Obs. Comentem! ou se explicarão com o Vingá. (rsrs)
T@CITO/XANADU
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
POETICAMENTE
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
S O N H A R
Chegue ao fim.
E que haja um novo dia
no horizonte.
Assim viverão
todas as noites
do sabor das auroras
advindas.
por isso é que se dorme.
Por isso é que se sonha.
Para inventar o amanhecer.
T@CITO/XANADU
terça-feira, 25 de agosto de 2009
SOMBRAS TACITURNAS

Continuas impune homenzinho!
Pior para ti, pois acabaste com a vida antes de morrer.
E assim, já não podes morrer descerás vivo ao inferno.
T@CITO/XANADU
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
S A C O !

domingo, 23 de agosto de 2009
PROJETO DE VIDA

sábado, 22 de agosto de 2009
É B R I O

sexta-feira, 21 de agosto de 2009
MALUCO BELEZA

P A S S O U

quinta-feira, 20 de agosto de 2009
S E N T E N Ç A

quarta-feira, 19 de agosto de 2009
I N T R O S P E C Ç Ã O

terça-feira, 18 de agosto de 2009
T E M P O

segunda-feira, 17 de agosto de 2009
M A S M O R R A

domingo, 16 de agosto de 2009
E S C R E V E N D O

sexta-feira, 14 de agosto de 2009
ANTES DE PODER VOAR. . .
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
APRENDER AMAR

quarta-feira, 12 de agosto de 2009
INDI(A)GESTÃO
Navegando pela internet, fui dar com os costados num blog muito interessante sobre a Índia.
http://indiagestao.blogspot.com/, recomendo uma visitinha a todos que acham que o nosso Brasil não tem jeito. Este blog foi criado por uma geógrafa e psicanalista que viveu por lá, ela nos mostra uma visão bem imparcial da realidade indiana. Recomendo em especial a matéria sobre a rainha dos bandidos e o vídeo que mostra um dentista indiano "clinicando".
terça-feira, 11 de agosto de 2009
E L U C I D A Ç Ã O

segunda-feira, 10 de agosto de 2009
P A R T I N D O

domingo, 9 de agosto de 2009
AO MEU PAI

sexta-feira, 7 de agosto de 2009
F O R M A S

quinta-feira, 6 de agosto de 2009
M O D A

TE PROMETO AMANHÃ

ANTIGAS ANTÍFONAS

quarta-feira, 5 de agosto de 2009
FANTÁSTICA REALIDADE
























