terça-feira, 30 de março de 2010

PRANTO SOCORRO


O poema ignora a face que o advinha.
É a vida que ele quer
e - na encosta das fraquezas - procura-a.
Todas as manhãs
quando a boca do vento remorde alentos
há uma palavra nos nervos das árvores
que ensaia acontecer.
Ao meio dia (indecisa metade de tempo uno)
os versos
uni-versos multi-versejados
despencam das barrancas do infinito
para as águas dos rios
porque os corações anelam para sempre
o mundo pulsa para sempre
e para sempre a solidão engendra
no bosque do desencanto
poemas.
Vinde ó vós que estaveis no horizonte
vós que andáveis acarinhando cardos
com o pranto diário
vinde.
Chamo-vos todos - matadores e mortos,
todos - esperançosos ou paladinos do calafrio.
A diluição das vossas caras
na luz pouca do sol ou dos quartos
será sangue para os nervosos pincéis
do poema que se desprende.

(Principiando o aprendizado da graça!)



7 comentários:

Guará Matos disse...

O poema, parece ter vida própria.
Abraços.

Denise Guerra disse...

Lindo! Leve! Liquido! Lilás! Leite Límpido Legal! Bjs!

Ana Lucia Franco disse...

Tacito, é um poema de metáforas e imagens belíssimas. O poema e seus caminhos e seus caprichos, o poema um ente, "uma palavra no nervo das árvores que ensaia acontecer". Lindo..

bjs!

Giane disse...

Ah, não fossem os poemas a traduzir o que sentimos...
Ah, não fossem os poetas os tradutores do que nos vai na alma...

Beijos mil, Amigo Tácito!!!

Solange Maia disse...

o poema vem de dentro, e uma vez "solto" toma formas de um caleidoscópio...

lindo e forte.



beijo grande e uma Páscoa feliz !

Graça Pereira disse...

O Poema tem tantos caminhos mas...em todos há mensagens! mas quando ele encontrar o "seu" caminho...ganhará asas e não há vento que o pare.
Gosto dos teus poemas...tu sabes!
beijo e uma boa Páscoa.
Graça

Paulo Braccini disse...

Desde o princípio a graça da arte e da sensibilidade para destilar emoções já se fazia presente ...

bjux

;-)