domingo, 14 de fevereiro de 2010

COISAS DO TEMPO



Casa antiga, baú de episódios
Cada lembrança é um quadro.
Pinacoteca muda,
Inventário de saudades.

Passado patinado e austero
Castelo de sonhos perd(idos)
Cada pedra tem vida, e
Se justapõe na escuridão gasosa.

Na noite adensa os negros vultos
Seus sons temerários
Ainda evoca épocas
Ante mim, mudo, cego e surdo.

Causa e fim do que amei e sofri
Monólogo abstrato estabeleço.
Busco compreender e não consigo
Vejo pessoas e não as reconheço.

O todo e a morte, dois absurdos,
Tendências mórbidas da minha mente
Tudo irreal e evanescente.
Sei que passará. É que hoje estou doente


(Preciso da cumplicidade do tempo)


8 comentários:

Meg disse...

Poema mais belo e exótico, para definir o amor perdido, mas ecoado nas pedras da casa onde habitou...
Abraço
MEG

Paulo Braccini disse...

ah! para certas feridas só mesmo a cumplicidade do tempo para cicatrizá-las ...

bjux

;-)

Wanderley Elian Lima disse...

Fantasmas do passado nos assombram todos os dia, mas precisamos deles para construir nossa história.
Abração

Guará Matos disse...

São as lembranças que nos mantém ligados ao nosso passado. Sei lá, podem até parecer triste para muitos, mas precisamos delas.

Abraços.

Denise Guerra disse...

Oi amigo, a história é feita dos "presentes" sobre o passado e nós ficamos muitas vezes reféns do tempo futuro das nossas expectativas. Assim é a vida, assim somos nós, ora fortes, ora fracos, ora meio termos. Adoro seus poemas! Bom carnaval! Abçs!

Silvia Masc disse...

O que disse a Denize, se confirma com o poema "Guardado no peito".

Lindos!

abraços

Silvia Masc disse...

Desculpe, Denise, não Denize... :)

Layara disse...

Paulo, estas palavras estao perfeitas e dizem muito de nós (qualquer nós)

...estou doente e preciso da cumplicidade do tempo...

as vezes assim é...


Beijos Poeta das Planicie,aqui o céu tingido de cinza promete chuva e o vento acorda sentimentos doentes.

Fique bem!