sábado, 2 de janeiro de 2010

A TRAVESSIA


Estende-se entre nós esse deserto de areia escaldante, povoado de criaturas horrendas a espreitar-me.

Eu continuo na rota com a minha lâmpada acesa a observar as caravanas, aquelas pessoas tão diferentes, que comem e bebem juntas. Atraem-me com tamanha alegria

Eu me faria uma delas!

Preciso de uma bússola que me oriente na travessia desse deserto, pouco importando o tamanho das dunas, e das tempestades dessa difícil empreita.

Quero comemorar a festa da vida e dela inteirar-me. Mas quanto tempo durará tal festa?

E se não durar o tempo da minha vida?

Seria uma temeridade, eu seria um ser que promoveria a própria infelicidade.

Melhor será que eu continue ao relento, na solidão desse deserto encharcado de chuva de estrelas, e cuidando para que o vento permita que eu continue com a minha lâmpada acesa. O gênio nela contido, reluta em realizar-me os desejos, mas não inibe a chama que apaga ou acende amores, apenas os transportam para o nada além de mim.

Tenho o meu eu sofrido nessa travessia. mas preciso das tempestades, dos ventos; acrescentam-me sonhos de liberdade.


T@CITO/XANADU