sábado, 30 de janeiro de 2010

(BAR)GANTE


E há os que ficam
Dentro do bar
Apenas descansando os fardos

E há os sem nenhuma messe
Sem nenhuma graça
Não são de nenhuma espécie

E há os que quando cantam
Calam a graça
E não há nada que se faça

E há as que dançam
E de tanto levar coiçadas
Desnudam-se para alcançar graça

E há o som da humanidade. Grito
Dos que clamam na noite
Prevendo ao certo, tempestade

E há as amigas - que querem de mim
Mais que meu tempo e meus cigarros
Deixo a mão pensar no que pode e não pode

Amiga - Que quer de nós a vida?
Não basta a cada um
Seu próprio um?

Amiga II- Que pássaro nos pode superar
Se voarmos ao céu cego do sexo?
E se libertarmos desejos inesperados?

Entre ventres e coxas,
A vida queima em um cinzeiro.
Há um pranto exercitando-se em volta.

Mais doses de Cognac
Nada de Antárdida degelo
Mãos deslisam nádegas, muco nos dedos

Som sentido, dançamos
Guitarra aguda, fina
Quebra a noite em duas

Bebo a saideira!
Aos nossos frágeis desejos,
Ao final infeliz do nosso único beijo.

Um bêbado caiu na rua
Ninguém viu
Pensa que não caiu.


6 comentários:

Guará Matos disse...

Nos bares da vida, as vezes curamos feridas e abrimos outras. É um caso de sonho imperfeito, sem jeito, do desleixo.
Esquecemos o que lembramos e depois de algumas doses caimos em nós e voltamos para o cotidiano sem graça. Porém é o que temos.

Abraços.

Paulo Braccini disse...

sim é nos bares da vida que nos encontramos com o nosso elo perdido pelas amarras culturais ... entre um gole e outro nos libertamos e alçamos vôos memoráveis que nos conduzem ao paraíso de fluídos e desejos ... qto mais undergruond melhor ...

adoro a noite, adoro os bares, adoro os "bêbados" ... fazem meu sangue correr mais forte ...

bjux

;-)

Denise Guerra disse...

Olá amigo, adorei sua visita no meu blog e venho agradecer! Mais adorável ainda é esta sua dissertação sobre a noite. Diz a história que de noite todos os gatos são pardos. Acho que há alguns de cores diferentes também. A minha noite já teve várias cores: Verdes, Azuis, vermelhas, amarelas... hoje nos bailes que eu frequento (dança de salão há 15 anos) ela é multicolorida, há velhos, crianças, jovens de todas as idades e tribos, adultos e até bebês que ainda nem nasceram. A maioria de nós é mais sozinho, pois, no baile é mais gostoso o conforto do corpo amigo (este com certeza nada te cobrará)do que do corpo amante. Boas Noites! Abraços!

Graça Pereira disse...

Pode parecer uma poesia dura...mas é real e belissima.
Quantas vezes é preciso cair para subir ao terraço da alma e olhar o infinito??
Um beijo e boa semana.
Graça

Maria Ribeiro disse...

T@cito: os derrotados da vida podem agir assim... Mas é preciso aprender a cair e a levantar-se do chão das misérias humanas!
O Infinito está Além...ali mesmo... vamos tentar tocá-lo, nem que seja com a ponta de um dedo?
BEIJOS DE
LUSIBERO

mARa disse...

...Oi amigo, enfim...

...e pensa que nao caiu...

excelente!