sexta-feira, 18 de setembro de 2009

29 DE DEZEMBRO


Minha lágrima caminha ao lado de você.
Não posso revelar a ninguém.
Não posso deixar a placidez surgir.
A que está pertinho dos meus olhos
Se, de pé, eu afirmar: não estou triste,
alguns se apartarão na franqueza do pavor;
os outros murmurarão: como ele é forte!
Cultiva nos próprios avessos a imagem
do monstro que não está triste.
Mas ao lado de seu corpo jovem e finalizado,
corre meu riacho de esperanças.
como seria bom poder brindar,
a transmutação do seu corpo claro em relva,
e a certeza do dia intemporal em que
vou olhar eternamente
a criancice do seu sorriso.
Vou agora ficar sisudo.
não chore porém, amigos,
que não ficarei triste jamais
e esta lágrima é tranquila
mais do que podemos entender...

(Cães vão se matar em nosso escuro
haverá um pranto exercitando-se em volta)