quarta-feira, 29 de julho de 2009

ERA UMA VEZ... ( I I )


Capítulo Segundo



...E como era doce...

Em vão tentou lutar contra a vertigem. O pequeno Elfo foi transportado a mundos claros, onde címbalos de ouro fremem sons. Viu-se depois, em nuvens diáfanas, como manto de gaze, branca areia, no deserto perdido.

O coração, pobre rubi que pensava já esquecido, brilhava tanto, cintilava tanto, que uma sombra perdida de tristeza fugiu, buscando profundo abismo...

No recanto, das taças transbordantes, uma valsa conduzia o par nas ondas do enlevo e havia um inebriamento coletivo de perfumes e sonhos. Lá fora, na noite alta, as estrelas desciam por escadas de diamantes, e vinham olhar, pelas frestas e janelas, aquela morada de alegria.

Foi naquela noite, de sombras deslumbrantes, envolta em véus de prata que a pequena Dríade entregou-se nos braços do Elfo Poeta. Súbito, como um espelho que se partisse, o Elfo ainda em êxtase, ouviu atrás de si um riso de mulher. Sentiu um calafrio, seus lábios esboçaram uma exclamação e ele quis voltar-se.

O poeta das formas puras ouvia as vozes de cristal das cismas, e seus olhos ficaram prisioneiros daquela figura de mulher, apenas humana. O Elfo poeta conservou-se impassível na sua seriedade, deixando surpresa aquela que sorria.

É que ela não compreenderia jamais que o poeta prefere manter inatingível o seu sonho, a vê-lo um dia tornar-se uma realidade passageira da vida.

Foi naquela noite de valsas esparsas, antes que nuvens negras os envolvesse, que a pequena Dríade retornou à seu sítio no reino da blogosfera, e alí ficou com suas irmãs. Embevecida, sentindo então as asinhas fremirem anseios, como se houvesse alcançado o olimpo...

E ali ficavam elas sem ver quando a lua, rendando prata, por entre as nuvens negras, vinha fazer em seu reino o recanto predileto do sonho...

No recondito do pântano negro habitavam os gnomos do mal. Quando as noites sorviam na escuridão a terra, eles partiam um a um em busca de corações felizes e almas igênuas, para despedaçá-los com as garras dos desgostos epidêmicos.

Passavam toda a noite nessa labuta cruel...


...CONTINUA


T@CITO/XANADU