segunda-feira, 18 de maio de 2009

S E G U N D A - F E I R A


Tranquei o riso atrás dos dentes,
que foi sem graça de som
e sem risco de luar.
Ainda que próximos dos horizontes
teus passos incertos
não sabem onde vai dar.

Era festa e ilusão,
de mundo aberto estou certo.
Vi com clareza desta vez,
sei que estou bem perto...
Ao chulear idéias cavas,
arranco inspiração.

Quando amanhece o dia,
assim o faço também.
Jogo no corpo mole
a água fria.
Escoa pelo ralo
as humildes alegrias.

Despertador, reza, e café.
Minhas falas imprecisas,
não retratam nenhuma fé.
Douro minha pílula,
a vida em meio aos destroços
não muda nem uma vírgula.

Sou o marco de aventuras congeladas.
Nas coxas adolecentes que mordi,
foi ficando as marcas,
sinais de águas passadas.
Marcas no muro onde escrevi,
já chega! De lembrar desvivi.

A rua - Não,
O túmulo - Talvez.
Escoar a vida pelas rodovias,
no vestíbulo da anti-vida.
Talvez a minha vez...
Ser levado pelos bicos das cotovias.