quinta-feira, 21 de maio de 2009

OS POETAS MORTOS

Goethe
Lord Byron

Não quero fazer nenhuma sociedade com poetas mortos, prefiro me enturmar com alguns dos que estão vivos. Perdoem-me os grandes poetas, que não passam, agora, de um pouco de cinza e descansam debaixo da terra! Perdoem-me! Sois semideuses e eu apenas um poetastro que sofre. Mas, estudando dois poetas, os dois mais belos génios do século passado, consagraram sua vida à reunião de todos os elementos da angústia e dor esparsos no universo. Goethe, o patriarca de uma literatura nova, para a época, depois de ter pintado no Werter a paixão que conduz ao suicídio, traçou no Fausto a mais sombria figura humana que já apresentou o mal e a desgraça. Seus escritos começaram a passar da Alemanha para a França. Do fundo do seu gabinete de estudo, cercado de quadros e estátuas, rico, feliz e tranquilo, via chegar à todos sua obra de trevas, com um sorriso paternal. Byron respondeu-lhe com um grito de dor que fez estremecer a Grécia, e suspendeu Manfredo sobre os abismos, como se o nada fosse a palavra do enigma Hediondo que o envolvia.
Peço-lhes perdão, por não poder deixar de lhes amaldiçoar. Porque não cantaram os perfumes das flores, as vozes da natureza, e a esperança e o amor, a lua e o sol, o azul e a beleza? Conheceram decerto a vida, decerto sofreram, e o mundo se desmoronava em torno de vocês e choraram sobre suas ruínas, e desesperaram-se; e suas mulheres os traíram, e seus amigos os caluniaram, e tinham o coração vazio, a morte diante dos olhos, e foram gigantes na dor. Mas, me diz nobre Goethe, não havia nenhuma voz consoladora no murmúrio religioso de tuas velhas florestas da Alemanha? Você para que a bela poesia era irmã da ciência: Não poderiam ambas encontrar na imortal natureza uma planta, uma erva boa, para o coração do seu favorito? E você que és panteísta, velho poeta grego, amante das formas sagradas, não podias por um pouco de mel nos belos vasos que sabias fazer, você, a quem bastaria sorrir e deixar as abelhas chegar ao lábios? E você Byron, não tinhas, em Ravena, sob tuas laranjeiras da Itália, sobre o belo céu Veneziano, perto do teu querido Adriático, não tinhas tua querida amante? Meu Deus! Eu que te falo, que sou apenas um pretenso "escrevinhador" talvez tenha conhecido males que vocês não sofreram, e no entanto, creio na esperança e dou graças a Deus.
Fazer conjecturas, é chover no molhado, e o cérebro homérico do grande Goethe sugara, como uma esponja todo o licor do fruto proibido. E a ressaca dele até hoje nos mantém no abismo da dúvida universal.