domingo, 25 de janeiro de 2009

VIAJORES


Ele sempre quis fazer a inusitada viagem de si a si mesmo. E, ao trilhar esse caminho, foi deixando marcas, marcas incertas, marcadas no pó. Para o caso de querer voltar. Ou, para o caso de alguém desejar situá-lo.

E, nesse caminhar incerto, observava que suas pegadas aumentavam de tamanho, pois, crescia. Observou também, que viajava sem rumo, a deriva, não havia para ele, nem passado, nem futuro planejado.

Começou a sentir-se angustiado. Pensou em voltar, mas, voltar significava não ir a si mesmo. Teria que viver no nível mais superficial de si, sem nenhuma profundidade existencial. Viver, da mesma forma que vivem as pessoas que nem mesmo questionam a razão de suas miseráveis existência.

Não, precisava prosseguir, de outro modo seria sucumbir a mediocridade que tanto o assustava. Sabia não ser nada, mas, queria ser e entender tudo. Render-se ao obscurantismo seria percorrer o caminho de volta. Prosseguia viajando, almejando alcançar o chão do seu coração, plantar bandeira, colonizar. Empreender viagem foi questão de escolha, sentia-se sufocado pela ignorância de si mesmo, era vital buscar pela essência verdadeira de tudo, respostas acima do convencional.

E, divagando, caminhou um longo período (por que há uma aura de pureza em todo andarilho?) até que se deu conta de que suas marcas foram apagadas pelo tempo, nada mais restou...

Talvez fosse hora de reconhecer o declínio humano em cada um de nós. Somos todos pobres andarilhos, nem podemos responder a simples pergunta: Quem sou eu?

Talvez, seja hora de sair para contramão e pegar uma carona para voltar. Tomar, um fôlego e reiniciar a partir do seu próprio fim, como em um dromo.



T@CITO/XANADU