sábado, 31 de janeiro de 2009

BRANCURA II


Flagro-me com a caneta na mão.
E, a olhar perdido o papel,
essa brancura, essa imensidão.
Onde estás inspiração?

Quero te sentir novamente.
Pensar e me perder,
me perder e te encontrar.
Emerge, mesmo que por um instante.

Mesmo que seja recordações silentes.
Sei, que é culpa dos meus tristes
e maus fados.
Vem, mesmo que por uns instantes.

Quero te sentir agora.
Assim como sinto, da brisa matutina,
o seu bafejo cálido e lírico.
Leva-me para as bandas do embora.

Leva-me para lá.
Esqueçamos o que ficou de cá.
Breve só restará uma lembrança,
uma vaga lembrança...

... Do êxtase que foi ter estado aqui
no paraíso, paraíso é estares desfeita,
cabeleira no meu colo.
É, também, desabrochar o pulso e desejar ir.

Para também pensar,
pensar e se perder.
Sonhar e esquecer,
a dor que já senti.

Para de bater peito meu,
tô nem aí para ti.
Sei que valeu ter vivido
o que vivi.

Só quero agora,
refugiar-me lá p'ras bandas
do embora, macular a brancura
como fiz outrora.

Ter no meu refúgio de insânias
e insanos sonhos de desejo.
Desejo, de menino, realizado
num simples lampejo.


T@ACITO/XANADU