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quarta-feira, 15 de abril de 2009

O F E R E N D A


Na noite dos vôos
procuro em vão
palavras expressivas
que me sejam cúmplices.
Raízes do passado acorrentado,
afogam meu desejo
que se projeta para o ar.
Encontro então,
somente murmúrio.
Que levo até Deus
em forma de lamento,
anúncio de mistérios e,
grandes lamentos.
Ofereço à Ele, em sacrifício,
a Mulher-pássaro
que ele mesmo criou,
silenciosa e desfigurada.
E o silencio entoa odes,
solto minha alma no nada.
Então, a Fenix
rígida e pálida
se faz em luz.
E em meus braços
mergulha no mais
profundo dos sonhos.


segunda-feira, 2 de março de 2009

DÉBAUCHE

Inércia estagnada.
Alegria amarga,
debochada e colorida,
continuação da vida.
Espiritualidade fantasiada.

A natureza se vinga,
a vontade morre para satisfazê-la
excito o desejo.
Me permito novos abusos
embriaguêz,como a de" pinga".

Cortesãs, noites insones,
apodero-me com violência
deboche,febre de vida.
Vem o orgulho em meu socorro
escarra sobre os festins a insolência.

Desdenha,solidão indiferente,
que importa se estou só?
Se me queres de volta,
ajuda-me a viver novamente,
Deus faz melhor que isso.

Nosso tratado foi selado,
um beijo gelado.
Agora deixe-me rosnar a minha demência,
praticar o amor.
Mesmo sem nele acreditar.

Calma estranha.
Punhalada que sinto.
No princípio,frio.
O chão agora tinto,
ainda uns passos
e, desço ao inverso, a montanha...


T@ACITO/XANADU

sábado, 21 de fevereiro de 2009

FILOSOFASTRO


“Não tenha medo de morrer. Porque, a morte morreu de medo ao ver Jesus Cristo nascer.” (Jayme Mere)


Ao contrário de tantos,
Temo a vida, não a morte.
Morrer todo dia um pouco?
Melhor morrer apenas uma vez.
É alívio trocar meias alegrias
Por inteira melancolia.
Estrangula-te o grito, ou
a escuridão te asfixia?

Tudo morre...
Deuses morrem
Desejos morrem
Beleza morre
Juventude morre
O dia seguido pela noite, também abrevia.
É a realidade que sepulta a fantasia,
A morte mata o sentido da vida.

Sopra a vela, morre a luz.
Morte no cadafalso,
Morte na cruz.
Com cicuta, ou
Doença de puta, tanto faz.
O alimento mata a fome.
A dor, meu vazio interior.
A alma escassa, o pensador medíocre.

A verdade aniquila a mentira,
O bem se interpõe entre o mal.
Corpos apenas se abraçam, almas se enlaçam.
Quem não teme a morte, herda a eternidade.
Morrer, não é o mesmo que não nascer.
É, simplesmente mais verdade.
Sons e cores o tempo descasca,
Também qualquer cultura se não for genuína e pura.

Morre também, tudo que acredito.
Isso me põe na garganta um grito,
Que também matará o silêncio e,
desmistificará um mito.
Morre os néscios, de tanta ignorância.
E, os sábios de tanta arrogância.

Muitos levados a morte, por medo dela.
Um dia a mais na vida, um dia mais próximo dela.

Algumas pás de terra,
Algumas flores do teu jardim,
está pronto meu réquiem.
Mais bonita é a mortalha,
Que o terno do meu casamento,
Que também serve para o último momento.
Assim é a vida, (?) uma vela que
Apaga-se com o vento.

“E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.”
(João 8:32)


T@CITO/XANADU

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

AMÁLGAMA


Minha alma,
sua alma.
Meu mundo,
seu mundo.

Meu espaço,
seu espaço.
Na minha boca,
sua boca.


Nosso sexo,
sem nexo.
Sem amor,
sem sentido.


No calor fundido,
a fumaça dos corpos.
O meu e o teu
volátil e fluído.


Em nossa alcova o lume,
clara como o dia.
Lá fora o asfixiante negrume,
nem sol, nem lua. Melancolia...


Sibila o vento,
música lúdica.
Tédio, chuva.
Marasmo e desalento.



T@CITO/XANADU




sábado, 31 de janeiro de 2009

BRANCURA II


Flagro-me com a caneta na mão.
E, a olhar perdido o papel,
essa brancura, essa imensidão.
Onde estás inspiração?

Quero te sentir novamente.
Pensar e me perder,
me perder e te encontrar.
Emerge, mesmo que por um instante.

Mesmo que seja recordações silentes.
Sei, que é culpa dos meus tristes
e maus fados.
Vem, mesmo que por uns instantes.

Quero te sentir agora.
Assim como sinto, da brisa matutina,
o seu bafejo cálido e lírico.
Leva-me para as bandas do embora.

Leva-me para lá.
Esqueçamos o que ficou de cá.
Breve só restará uma lembrança,
uma vaga lembrança...

... Do êxtase que foi ter estado aqui
no paraíso, paraíso é estares desfeita,
cabeleira no meu colo.
É, também, desabrochar o pulso e desejar ir.

Para também pensar,
pensar e se perder.
Sonhar e esquecer,
a dor que já senti.

Para de bater peito meu,
tô nem aí para ti.
Sei que valeu ter vivido
o que vivi.

Só quero agora,
refugiar-me lá p'ras bandas
do embora, macular a brancura
como fiz outrora.

Ter no meu refúgio de insânias
e insanos sonhos de desejo.
Desejo, de menino, realizado
num simples lampejo.


T@ACITO/XANADU

sábado, 24 de janeiro de 2009

* ?


“A cor do riso é doida, e o homem tenta repetir-la en sus labios”


ELA: Nunca, na minha alma,
Fora tão grande o meu amor,
fora tão grande o meu suplício...
Mas agora eu te vejo e o meu tempo
da tristeza não existe,
pois o tempo não existe quando eu
contemplo o meu amor.

ELE: Fala no meu rosto, como a brisa
da praia numa tarde de verão, mais
doce que à tarde numa praia, de ilhas
e de quilhas, o teu semblante, quando
falas-me contra o rosto desse país
para onde levas o meu rosto, desse país
que desenhas no meu rosto com
o sopro em febre de tua boca
e o perfume dos vinhos.

ELA: No quarto que preparei para esta noite,
uma janela para o mar da tarde,
as gaivotas sobre o mar da tarde.

ELE: Dorme amada minha, dorme, porque o
amor é mais forte do que o tempo
e menos longo do que um bando de aves!!!


Gosto de imaginar que tais coisas existem...




T@CITO/XANADU

FRAGMENTOS


A certeza de ter tardes tatuadas no peito!!!
Presenciar o vento assolando,
as campinas da planicie!

Ou quem sabe, o cálido bafejo
de sol ao amanhecer.
Ainda o eterno caminhar das nuvens
para além de um "sei lá" inexistente.

Navegar na ternura do azul
de um céu de verão.
Assistir o enterro do sol no horizonte,
e esperar pensativo o nascer da noite!

Chega a tarde!
Ouço o solo de um sax chinês.
Vem o tédio e, junto o sono.
Tento não pensar e pronto,
já estou de volta!



T@CITO/XANADU

MURMÚRIO


Quando pouco a pouco te acordares.
Trarás na tua forma, a herança, o vínculo.
De antigas ansiedades em tuas veias,
a febre verde de percorridos rios.

Nas velhas tardes, sulcos de desespero.
Outrora, o navegar sombrio,
no vendaval de tantos mares,
no sem fim dos mares.

Ouvir a voz da mãe tú has de,
a voz do sangue a leste do teu corpo,
toa sobre a carne, a declarar-te
pura e simplesmente o amor primeiro.

E a dizer-te no múrmuro mover dos lábios,
brandamente, anônimo, teu nome.
Como oscilante e de leve,
indica sobre o esmalte a direção de uma jornada incerta.

Uma agulha de brisas,
numa búlssola de frêmitos.
Escutarás nascerem da tua noite,
os sons desconhecidos.


INDIFERENÇA

Muito me amou,
pouco te amei.
Te enganei,
em mim confiou.

Teu sonho desfeito,
eu escondido no meu,
em silêncio, tua lágrima calava.
Eu por egoísmo e preconceito ignorava.

Dizia estar comigo,
teus olhos buscavam os meus.
P'ra dizer que meus fantasmas,
também eram seus.

O tempo violenta um jazigo,
e emerge um amor,
que penso, antigo.
Nova promessa, nova esperança.

Agora te espero, sem pressa.
Não minto, não finjo.
(De)monstro o que sinto.
Agora sei... Te esperarei, seja p'ra quando for.

Quando penso, que pude esquecer...
A musicalidade da tua voz,
que me faz adormecer.
Teu canto que encanta, como canto de sereia.
... Faz doer minha mão ao escrever.



(Tudo que é desde o princípio foi.)




terça-feira, 20 de janeiro de 2009

BRINCANDO DE AMAR


Abro o peito!
Não tem jeito.
Mais um engano,
meu coração é cigano.

Sob o céu de inverno
pensas que caminha para o amor eterno.
Tome uma taça de vinho ordinário,
macularei o linho do teu leito.

Alimento teu imaginário.
Acordarás antes que a noite se desfaça
há que se entender antes do amanhecer,
tua impaciência ante os segredos.

Fará-te inclinar-se arredia
diante do teu minúsculo reino.
E assim, entender os seus medos,
levanta-te pronta prá luz do dia.

Chora teu choro mais longo.
Larga, solta, viva a vida,
das coisas obscuras
veja como pode ser divertida.


T@CITO/XANADU

sábado, 17 de janeiro de 2009

A ELOQUENCIA DO SILÊNCIO


Cai a chuva
Cai o pano
entra mês
sai o ano

Cai a noite
sai o sol
Sopra se a flauta
Ouve se um bemol

Lê se na pauta
Uma clave de sol
No silêncio da noite alta
A melodia do dia.


Entre os que sabem ouvir:
"...Filhote de sol raio da manhã..."
Debaixo do arco,um barco,em Veneza...uma beleza!


T@CITO/XANADU

A TARDE


Olhos semicerrados de encontro ao sol
me ofusco com o lusco-fusco
do crepúsculo.
Oh! Fantasia que veste a vida.
Oh! Crepúsculos gris.
Porque troco auroras por um simples ocaso.


Choro e esqueço as horas.
E com medo de um outro engano
abro no mundo outro pano
para ventos novos e planos.


(Ante a noite que chega,andar pro amor,quem sabe?)


T@CITO/XANADU

CAMINHO




A visão bizarra da chuva
que flagela o rosto do andarilho
que se deslumbra com a visão de um trem
que tranquilo desliza sobre os trilhos.


Trilhos que leva alguém a um destino
que se cruza com o de um alguém.
O andarilho (sem brilho).
Trilha tranquilo a trilha de ninguém.


Trilha que a qualquer hora o levará
para lá das bandas do embora... !


"Can vietnam stand alone ?"


T@CITO/XANADU

ORAÇÃO


Na noite me imagino lembrado
abro a janela do meu quarto e,
digo aos que podem ouvir:
-Remember!
-Remember!


Senti-me livre, e uma vez livre
crispei o silencio da noite
com a palavra impura
um grito de carne.


Ouvi alguém:
- Estás ébrio e triste?
Porque não choras de amor?
Não chorei...
Mas, foi como se alguém orvalhado escrevesse:
O amor que não acaba sempre cresce.


Procuro dormir!
Busco veneno,
quando a orar,
grande, a beleza que nos corrompe,
se ascendo a boca nas orações:


- Ave Maria...
(Maria onde estarás?)
...Cheia de graça
(graça,beleza, encanto)
...o Senhor é convosco...
(o "senhor" será que está lhe torturando sob os lençóis?
Pauto de medo,puto de luz!)


...Bem dita sois vós entre as mulheres...
(Je suis le femme)


Lembro-me então do marzinho quase morno que foi surgindo
no canto dos teus olhos,e teus olhos se haviam posto na linha distante
como se quisessem descobrir o para lá!
- Onde estava mesmo?
Ah! ...Bem dito é o fruto do vosso ventre...
(eu diria os frutos).


Ouço flautas!
sinto um gosto amargo...
adormeço e sonho,
sonho comum.
Sonho que também dormes.
Sonho de uma Deusa adolescente depois da morte...


RÉQUIEM AETERNA DONA EIS - (Dai-lhe o repouso eterno)


(Antes que a vida se transforme na fumaça dos corpos abrasados.)


T@CITO/XANADU

QUEM?


O abandono da superfície
num momento de êxtase
me leva a um longo mergulho
nas profundezas.


Trago na volta,
somente um gosto amargo.
Incertezas,e a lembrança de um rosto "one ugly face".
Apago então a recordação.
Apago então a lembrança.


De novo,um outro rosto.
Um de criança...
...mas esperança vã!
Seus olhos, como duas janelas fechadas.
Apenas, intransponíveis.


(Depois de mais um sacrifício, a fatalidade.! ! ! )


T@CITO/XANADU

TALVEZ... PALHAÇO PORQUE ME DESFAÇO DE TANTO SER!


E de repente os sinos
desataram seus pássaros
e, nós ressuscitamos.
PAX TIBI MARCE EVANGELISTA MEUS!
Entre a lembrança e a promessa,
a que haveremos de comprar a plenitude do tempo.


Raivas de amor, e valsas, tanto porre...!
Os boleros cortaram no seu suplício uma ternura e,
seus braços cresceram nos decotes.
Uma vontade de matar o tédio, a desventura de tantas tardes tatuadas no peito.
Mas a tormenta do meu amor pela loucura
cresceu nas flautas e,ao mesmo tempo que tonsura nos ombros do meu irmão,crescia
daquelas tardes uma estola fúnebre.


Tive a certeza de um maverick,disse depois,My Darling,Te voglio tanto Bene...
Avião no próximo verão.
Nós estaremos nos grandes bulevares de Paris,na ponte principal,a de Londres,
e ser a de Waterloo,nunca uma outra cor
de cinzas e de torres...


Na praça do Relógio te matarei de amores.
Mas,era como se quisesse alcançar as tardes que desabavam.Do outro lado;as flores...Um saxofone em Singapura...uma gaivota.


José ? Morreu de amor em outro País!


T@CITO/XANADU

ODE


Para o sul, para o sul, ouso pensar, mas calo.
Ao pano das bandeiras com que aclamo
A chegada do abraço.
Para o sul, para o sul, ouso pensar não falo.
Onde flores, preparam, doido sonho que embalo,
Onde flores coroam, para alguém que não chamo
Rosas que florescem quando clamo.

Tremendo, numa esfera de sombra, lembra
Uma bruta beleza, um coração de sangue
Trancado em jaula imaginada, lembra
Um noturno botão rubro velado nos fios
Da teia do inconsciente, aranha, pulsa
Memorial estremecer de um mar, fenômeno e poema,
Numa esfera de sombra, pétalo intenso,
Marejado e problema.



“P’ra ocês fominhas de poemas”


T@CITO/XANADU

PARA ALGUÉM QUE É MAIOR PORQUE MAIS AMO


Abre o teu pombo sobre o meu corpo, e
Sobe vagaroso pela minha pele, como se me
Estivesses a criar do nada.

Navega a tua ternura
Sobre meus olhos fechados, sobre as
Pálpebras que cerro para sentir teus Lábios em silêncio.

Chega ao recanto mais oculto do meu rosto,
Como as caravelas de outrora, portuguesas.
À costa inexplorada de um para lá inexistente,
Trazendo capitães e missionários.

Dá-me teu crime e tuas insânias.
Espelhos, vidros de murano,
E o bafo transparente dos crepúsculos
Nas cidades perfeitas que habitaste.

Agrada-me ter na lembrança...
... Teus seios morenos, duas frutas mornas
Dois ramos perfumados, ramos onde adormece
O meu rosto sonâmbulo de ciúmes.

“O sonho que antevejo, e que
Adivinho perdido?
Não me perguntes nada.


À noite nossos quartos são claros como uma tarde!


T@CITO/XANADU

MARASMO


Abraços! Abraços?
Por teres escapado dos laços
Que te sufoca ete (lui) consagra
Minha, tinha ausente somente
Aos meus olhos não tão ávidos.

Talvez a vida inteira não baste
P’ra perder tentando remover
O tempo e ver tão sem surpresa.

Como se vê a sequência de
Uma sonata, e assobio.
Ponho-me a tocar os corpos
De a ou ó, alma desocupada
E sinto-te como o solzinho de
Inverno que não deixa mais
Que uma sombra.

Sombra. Ah! Este é o nome do teu
Peito aberto, estou certo.
Certos de ser mais espírito do que corpo!

E ver no Cristo um louco
Certo de poder, poder pegar minhas
Lágrimas e levá-las a uma represa
P’ra que ilumine um novo mundo.


“C’est aussi simple qui, une phrase musicale!”


T@CITO/XANADU

ZANZIBAR

Zanzi
Zanza
Zonzo
Zonzeira

Zoeira
Bobeira
Doideira
Zonzo no bar

Zanzibarita
Zonzo de birita
Zanga, grita
Zanza, zonzo no bar.

Zonzo no mar
Zonzo no ar
Zune, zumbe
Zumbido, estampido.

Bunda lisa de cupido
Erecto destemido
Umbigo lambido
Esperma cuspido.

Pemba
Maresia
Pescaria
Putaria de dia.

Unguja
Faca suja
Não reflete
Enferruja.

Zoar ao luar
Mascar chiclete, desmunhecar
Sobre o céu de Zanzibar...
... Nem pensar.



T@CITO/XANADU