domingo, 30 de maio de 2010

AMANHÃ , UM DIA A MENOS


Quando em Minas,
incomodava-me
estar entre os animais.
Nunca ter ido além do esterco
e dos cogumelos.

Bosta de vaca virava rocha,
pra quebrar a cara
se houvesse queda.
Havia o pressentir,
um intuir um estouro

Num campo de quietos touros
vendaval sem arrancar o tédio.
Em cada úbere o mais puro leite,
em cada balde, o vazio que espreita,
ninguém para desleiterar os úberes

Vindos de bocas famintas
de palavras e de tudo.
Deixei o leite em garrafas,
Ceei doses de cachaça de Salinas
e desabei...

Arreio armado nas costas, e fui...
Fazendo rastros na estrada,
o que queria de Minas,
era estilhaçar cristais,
desenterrar turmalinas.

Para os anéis das meninas,
para os anéis de além-mar.
E assim, foram criar raízes
nos dedos das meretrizes
que prometeram me amar.

Depois, se foram meus ouros
e todas as pratas que eu tinha.
E guardado a sete chaves
só me restou a saudade
que insiste em infiltrar-se

Pelos poros, inspirando
esse poema mineral
que fui buscar lá nas Gerais.
Sofro da peste, a que mata até animais
por saberem, não voltar jamais.

Da experiência, nada de cabedal
de conteúdo, apenas um dedal.
O meu conforto, a roupa do corpo.
O pé no chão; a cabeça ainda não.
Ainda não...


( Lá em baixo corre o "velho chico", e tudo existe...)

Tácito

3 comentários:

Guará Matos disse...

Amigo, Minas Gerais é tudo!
Bela, poética, lasciva e musical.
Minas Gerais é um esplendor de joia.
Abraços.

Paulo Braccini disse...

As Minas são muitas como dizia o poeta, mas todas elas se resumem a uma única ... aquela que congrega a beleza, a poesia, a música, o bem viver, o amor ,,,

amei ... amei muito

Em nome de todos os Mineiros agradeço toda a sua sensibilidade nesta homenagem e neste arrebatamento poético ...

bjux

;-)

Wanderley Elian Lima disse...

Adorei o poema, eu também quero ir para o bar do Zé.
Abração