quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

AI DE TI HAITI


Ai de ti
Ai de quem?
Eu bem que te esqueci
Adormeci, mas agora vi
Seus tombos e escombros.

Com bocas limpas de palavras
Rezamos com as feridas
Para tudo voltar
De manhã cedinho
Na órbita do esperar.

Quando nada faz sentido
É hora de não morrer,
Construir na mentira
Visões de um mundo aberto.
Então cantemos!

Sempre cantaremos
Na estafa dos dias mesmos
Mesmas rezas e noites
Só o cantar é lágrima
Por abundância de vida.

Em nenhum mistério acredito
(Que não seja o de cantar)
O céu e os cofres da antemanhã
Alimentam seus segredos
E os ventres que te levam ao degredo.

Ai de teu corpo entorpecido
Pela dor da fome
Que não te deixa acordar.
Parte sem ver - os olhos
Indiferentes que te cercaram.

Panelas dóceis recebem a carne
Agora vamos comer
Pedaços de carne escrava,
Agora vamos cantar
P´ra não calar e morrer.

(Canto o espanto de uma canção lembrada para embalar...)


T@CITO/XANADU

6 comentários:

Guará Matos disse...

A lágrimas servem como água de beber, o chão não tão mais baixo como parecia antes.
Abraços.
_______
Ps. Eu republiquei um poema que havia postado no ano passado, sobre as misérias e suas semelhanças.

Maria Ribeiro disse...

T@cito-XANADU: como compreendo a tua dor! Triste condição humana! É isso que eu sinto ressaltar de tua alma com as palavras deste lindo e triste poema. Beijo amigo de
LUSIBERO

freefun0616 disse...

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edianinha bipolar disse...

Que poema mais triste, mais lindo, mais sentimental...que tristeza ter que sofrer tanto, meu Deus o que é isso!!

Denise Guerra disse...

Tácito, os africanos e seus descendentes sofreram e sofrem a mingua como nesta foto há pelo menos 500 anos. O homem ainda não acordou sobre a igualdade da sua condição humana. Sem comida e sem recursos somos todos iguais! devia ser assim em qualquer condição e este devia ser mesmo o maior motivo de partilharmos nossas riquezas (materiais e imateriais). Saudações musicais!

Benny Franklin disse...

BRAVO!

Poeta, obrigado por tuas palavras deixadas em meu blog.

Saiba, teus poemas urram a dor da terra.

Boa!