sábado, 17 de janeiro de 2009

ORAÇÃO


Na noite me imagino lembrado
abro a janela do meu quarto e,
digo aos que podem ouvir:
-Remember!
-Remember!


Senti-me livre, e uma vez livre
crispei o silencio da noite
com a palavra impura
um grito de carne.


Ouvi alguém:
- Estás ébrio e triste?
Porque não choras de amor?
Não chorei...
Mas, foi como se alguém orvalhado escrevesse:
O amor que não acaba sempre cresce.


Procuro dormir!
Busco veneno,
quando a orar,
grande, a beleza que nos corrompe,
se ascendo a boca nas orações:


- Ave Maria...
(Maria onde estarás?)
...Cheia de graça
(graça,beleza, encanto)
...o Senhor é convosco...
(o "senhor" será que está lhe torturando sob os lençóis?
Pauto de medo,puto de luz!)


...Bem dita sois vós entre as mulheres...
(Je suis le femme)


Lembro-me então do marzinho quase morno que foi surgindo
no canto dos teus olhos,e teus olhos se haviam posto na linha distante
como se quisessem descobrir o para lá!
- Onde estava mesmo?
Ah! ...Bem dito é o fruto do vosso ventre...
(eu diria os frutos).


Ouço flautas!
sinto um gosto amargo...
adormeço e sonho,
sonho comum.
Sonho que também dormes.
Sonho de uma Deusa adolescente depois da morte...


RÉQUIEM AETERNA DONA EIS - (Dai-lhe o repouso eterno)


(Antes que a vida se transforme na fumaça dos corpos abrasados.)


T@CITO/XANADU