quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

THANATOS


Busco no silêncio o esquecimento.
O intocável silêncio das Galáxias.
Lá sou espírito,
lá tenho alma.
A morte faz calar as palavras,
Trás o silêncio que almejo.
E, junto à escuridão, oportuno ensejo,
na hora da morte.
Choramos ou sorrimos,
Depende da luz,
Da vontade de vida,
Da vontade da morte.
Minha morte, nada a ver com a sorte,
Somente a rima.
Nenhum poema,
Torno ao silêncio.
Silêncio inspirador,
Meu mundo profundo.
Sem beleza,
sem cor,
mundo eterno.
Abissal, profundo.
Em ti a saudade,
com serenidade te espero.
Vislumbro embevecido,
De novo silêncio.
Profanado pela voz,
Também silenciosa,
voz de suicida que o torna vivo,
mesmo após a morte.
E de sorte, toda a certeza de que nada lhe espera.
Visto loucas fantasias,
namoro a vida,
me apaixono pela morte.
Musa que me inspira,
Busco em ti antigos vínculos,
Antigas heranças, outras vidas,
Só lembranças.
Caminho inexorável para tua cama.
Nenhuma rima, nenhum poema.
Melodia, de dia.
No silêncio, doce agonia.
SEPPUKU, penso no ritual,
Olhos fechados, silêncio,
doce ternura.
O êxtase então ouço ao longe,
tua voz dizer: Nunca mais...
Só a luz é real, não precisa de sons,
emerge na escuridão,
rompe a letargia.
Ansioso, espero para transpor os umbrais.


“... Palha que o vento leva para fora da eira no tempo do estio.”
Dan. 2:35



T@CITO/XANADU